MEUS FÃS

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Bom amigo é mau amigo

Bom amigo e mau amigo PDF Imprimir E-mail
Escrito por REVISTA TERCEIRA CIVILIZAÇÃO, EDIÇÃO Nº 40   
Bom amigo e mau amigo
O objetivo da prática budista é atingir o estado de Buda (iluminação). Bons amigos e maus amigos são conhecidos respectivamente por (zentishiki e akutishiki).

No budismo, uma pessoa que ajuda outra a atingir esse objetivo, ensinando-lhe sobre a prática ou encorajando-a na fé, é chamada de “bom amigo” ou “boa influência” (zentishiki, em japonês). Ao contrário, uma pessoa que impede e desencoraja outra em sua busca da iluminação é chamada de “mau amigo” ou “má influência” (akutishiki).
 
Em suas escrituras, Nitiren Daishonin aplica o termo “bom amigo” de várias maneiras. Em alguns casos ele o usa impessoalmente referindo-se ao Sutra de Lótus ou à Lei Mística. Em outros, ele o emprega com o significado de Buda, que tornou o caminho da iluminação acessível a todos. Porém, o termo é mais comumente utilizado para indicar uma pessoa que encoraja uma outra ao longo da prática da fé.

No 27º capítulo do Sutra de Lótus, Myoshogonno (Os feitos anteriores do Rei Adorno Maravilhoso), consta: “Um bom amigo é uma grande causa e circunstância. Em outras palavras, é aquele que ensina e guia outros, capacitando-os a adquirir a sabedoria do Buda e despertando-os para a iluminação.” Na escritura “Três mestres tripitaka oram por chuva”, Daishonin afirma: “Quando se transplanta uma árvore, mesmo que soprem ventos violentos, ela não tombará se tiver uma firme estaca para mantê-la em pé. Porém, mesmo uma árvore que cresceu em um lugar adequado pode cair se suas raízes forem fracas. Uma pessoa fraca não sucumbirá se aqueles que a apóiam forem fortes, mas uma pessoa de considerável força, quando só, poderá tropeçar num terreno irregular. (...)

“Portanto, o melhor modo de atingir o estado de Buda é encontrar um zentishiki, ou um bom amigo. Até onde a sabedoria de uma pessoa pode levá-la? Se essa pessoa possui sabedoria suficiente pelo menos para distinguir o quente do frio, deve procurar um bom amigo.

“Contudo, encontrar um bom amigo é algo muito difícil. Assim, o Buda comparou esse feito à raridade de uma tartaruga de um olho só achar um tronco de sândalo flutuante com uma cavidade com tamanho certo para comportá-la, ou à dificuldade de puxar uma linha do Céu Brahma e passá-la pelo orifício de uma agulha na Terra. Além do mais, nestes maléficos Últimos Dias, os maus companheiros são mais numerosos do que partículas de pó que compõem a terra, ao passo que a quantidade de bons amigos é menor do que a de grãos de poeira que se consegue amontoar sobre a unha de um dos dedos da mão.” (As Escrituras de Nitiren Daishonin [END], vol. 6, pág. 167.)

É uma grande alegria criar laços de amizade com pessoas que nos conduzem à correta prática da fé, incentivando-nos quando estamos desanimados, apontando nossas falhas quando necessário, compartilhando suas experiências e possibilitando-nos enxergar os fatos com uma visão mais ampla. Um dos propósitos de nossa organização é ajudar as pessoas a seguir o correto caminho da prática budista.

Por outro lado, um “mau amigo” é aquele que, intencionalmente ou não, dificulta ou então impede a nossa prática. Nitiren Daishonin usou freqüentemente o termo para referir-se aos mestres budistas que, deliberadamente ou por ignorância, distorciam os ensinos budistas e desencaminhavam as pessoas. Um mau amigo também pode ser alguém que concorda conosco mesmo quando estamos errados e não nos alerta.

Contudo, fundamentalmente, somos nós que determinamos se uma pessoa é um bom ou um mau amigo, isto é, se ela encoraja ou impede nossa fé. Tomemos como exemplo uma pessoa que nos critica e que faz de tudo para impedir nossa prática budista. Se nos sentirmos desencorajados a ponto de abandonarmos a prática, foi porque permitimos que ela agisse como um mau amigo. Mas se apesar de irados, magoados e entristecidos transformarmos esses sentimentos em um ímpeto para aprofundarmos ainda mais nossa fé no Gohonzon, foi porque enxergamos nessa pessoa um bom amigo.

O próprio Nitiren Daishonin demonstrou que isso é uma grande verdade. Ele disse: “Os melhores agentes positivos que ajudaram Nitiren a atingir a iluminação foram Tojo Kaguenobu, os bonzos Ryokan, Doryu e Doamidabutsu, Hei no Saemon e Hojo Tokimune. Sem eles, Nitiren não poderia ser o devoto do Sutra de Lótus.” (END, vol. 1, pág. 171.) O ideal seria considerarmos tudo que nos ocorre, os acontecimentos bons e maus, como um motivo para aprofundarmos a fé, tornando todas as pessoas que se relacionam conosco nossos bons amigos e, o mais importante, procurarmos ser bons amigos para aqueles que nos rodeiam.

Da crise nasce a Revolução Humana

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Escrito por REVISTA TERCEIRA CIVILIZAÇÃO, EDIÇÃO Nº 488, PÁG. 66   
Da crise nasce a Revolução HumanaCrise existencial, crise renal e crise de riso são comuns a algumas pessoas. Porém, a crise mais famosa ultimamente, sem dúvidas, é a financeira.
De onde veio a tal crise que afeta empresários e funcionários em todo o mundo? Ela teve início nos Estados Unidos no ano passado, quando casas foram hipotecadas e bancos arrastados para o “vermelho”.
Basta abrir os jornais ou assistir ao noticiário na TV para atestar o fato. Da situação, aprende-se que tudo está interligado.
Seja como for, a crise está aí e não se pode negar. O momento não é para desespero, e sim para agir com ponderação e sabedoria.
No começo deste ano, os efeitos da crise foram notados na escassez de oferta de emprego e na demissão de muitos trabalhadores. Agricultura, indústria e serviços, que já percebem os efeitos, têm motivos diferentes para continuar demitindo. Quais as razões principais? Os economistas acreditam que a queda das exportações e a diminuição da demanda e do preço de produtos primários sejam algumas delas.
Por isso, o governo terá de adotar medidas econômicas que atuem de forma incisiva na redução das taxas de desemprego da indústria nacional.
Do que tem sido dito sobre a crise, uma “palavrinha” resume tudo: medo. Medo da possibilidade de perder o emprego, medo de perder o lucro nas empresas. Fico me perguntando por que temos medo de crises financeiras. A resposta que encontro é que, na realidade, não queremos perder o que temos.
A situação me faz lembrar de meu avô, Manolo. Quando chegou ao Brasil, fugindo da fome na Espanha, não tinha o que comer, nem onde morar. Descalço, ele ia à feira para vender frangos. Mas, com muito trabalho e esforço, mudou essa situação e se estabilizou profissionalmente.
Outro exemplo de fibra é o segundo presidente da Soka Gakkai, Jossei Toda, que, em meio a uma crise financeira, manifestou sabedoria e serenidade para lidar com a situação. O presidente da SGI, Daisaku Ikeda, relembra esse momento: “... quando olhei para o presidente Toda, vi que ele estava entretido no jogo de shogui (xadrez japonês) com um amigo, tranquilo e imperturbável. Por uns instantes, não consegui entender como ele podia proceder daquela forma num momento tão crítico. Mas, pouco depois, o motivo ficou claro para mim. ‘Ele está certo. Para ele nada mudou. Seu aspecto é uma declaração de que dará continuidade a sua luta’”.
Como atingir a mesma condição do presidente Toda? A resposta está em acreditar que felicidade não é ausência de problemas, mas sim manifestação de força, sabedoria e coragem para ultrapassar quaisquer adversidades.
Quando a pessoa atinge tal felicidade absoluta, extraída da própria vida, com base na sincera recitação do Nam-myoho-rengue-kyo, continua sua jornada, sem se abalar.
Vamos manter o otimismo e trabalhar! Uma crise financeira pode ser a maior oportunidade para as pessoas e os países. Isso porque ela traz progresso, faz nascer a inventividade, os descobrimentos e as grandes estratégias. Quem supera a crise, supera a si mesmo, faz sua revolução humana.

Budista acredita em Deus?

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Escrito por Jornal BRASIL SEIKYO, EDIÇÃO Nº 1605   
Budismo acredita em Deus?Geralmente, tudo que é diferente ao que as pessoas estão acostumadas é, a princípio, rejeitado ou visto com negatividade. O presidente Makiguti dizia: “Não julgue o desconhecido.” É isso o que acontece com o budismo. Devido o Brasil ter sua cultura arraigada na tradição cristã, o budismo, desconhecido pela maioria, é visto com reservas e muitas pessoas pensam que, por não falar em Deus, conforme a concepção que têm, não é uma religião correta, muito menos deve ser seguida.
Outro fator que ajuda a complicar é que, por existir muitas ramificações do budismo, os não-budistas acreditam que todos os tipos de budismo são iguais. Normalmente, os meios de comunicação fazem essa confusão, como aconteceu recentemente com uma revista de circulação nacional.  (continua...)
Algumas vezes, quando iniciamos um Chakubuku, de início somos questionados da seguinte forma: “Vocês acreditam em Deus?” Muitos de nós já viveram essa experiência, e por mais que tentemos explicar, a maioria das pessoas diz: “Mas eu não quero deixar o meu Deus!” Por isso, hoje, abordaremos esse ponto.
Inicialmente, é bom esclarecermos que Buda não é Deus. A palavra “buda” significa “o iluminado”. Ou seja, um Buda é aquele que se iluminou para a verdade da vida. “Ismo”, de budismo, é um sufixo que significa “doutrina, escola, teoria ou princípio artístico, filosófico, político ou religioso.” Cristianismo refere-se aos ensinos de Cristo e budismo, aos ensinos de Buda.
Segundo Bryan Wilson, uma das maiores autoridades em religião do Ocidente, o sentimento religioso surge para explicar o inexplicável — os fenômenos da natureza, que para as pessoas não têm uma explicação racional.
Assim, para o cristão, o “inexplicável”, ou os fenômenos do universo, é atribuído a Deus, que vive no céu e dita as regras da Terra. Ele criou todo o universo, o homem, o sol, a lua, as estrelas, as plantas, os animais etc. e possui imensa benevolência e compaixão pela humanidade. No entanto, as pessoas colocam Deus em dois extremos: por um lado Ele possui um amor incondicional para com as pessoas, por outro é um severo punidor e o sofrimento das pessoas é desígnio de Deus. Tanto é que todos conhecem as famosas frases: “Deus quis assim!”; “Esse é o destino que Deus me deu!” entre outros.
Nos ensinamentos budistas, os fenômenos são atribuídos a uma Lei que rege o universo. Essa Lei é denominada Nam-myoho-rengue-kyo.
Vamos abrir um parênteses aqui para explicar que Gohonzon também não é Deus. O Gohonzon é nosso objeto de devoção, diante do qual conseguimos concentrar nosso pensamento nessa Lei universal e fazer com que ela se manifeste profundamente em nossa vida.
Muitas vezes, por termos sido criados numa sociedade cristã em que aprendemos a atribuir tudo a Deus, acabamos nos expressando da seguinte forma: “Se o Gohonzon quiser!”, “Graças ao Gohonzon!”, “Vá com o Gohonzon!” e “Jogue nas mãos do Gohonzon”. Para nós, budistas, o ser humano possui um grande potencial por si só, pois ele faz parte do universo. Todas as suas conquistas estão arraigadas em sua determinação, esforço e sabedoria associados à fé na Lei Mística. Não existe alguém determinando sua condição de vida de felicidade ou sofrimento.
Segundo os ensinamentos budistas, tudo na vida é regido pela lei de causa e efeito existente no universo. Os sofrimentos e a felicidade existem na vida de cada pessoa e se manifestarão de acordo com a força positiva ou negativa que cada um carrega. Se a força negativa for mais poderosa — força essa criada pelas causas negativas acumuladas — a pessoa sofre. Do contrário, se a positiva for mais forte — gerada pelas causas positivas feitas pela própria pessoa —, ela é feliz. A Lei que rege o universo não é punitiva. Ela é justa, rigorosa e benevolente, pois cada pessoa colhe o que plantou.
O importante em cada religião é o respeito mútuo. Desconsiderar a existência de Deus para um cristão por sermos budistas é desrespeitar a pessoa e sua fé.
Na Nova Revolução Humana, o presidente Ikeda escreveu: “Para criar uma era de paz é necessário e imprescindível o diálogo entre os religiosos... É preciso iniciar o diálogo entre budistas e cristãos, budistas e judeus, budistas e islamitas. Mesmo que as convicções religiosas sejam diferentes, creio que todos acalentam o ideal comum de paz e felicidade da humanidade... Eu penso que as religiões, em vez de guerrearem entre si, deveriam disputar a corrida para o bem... uma disputa entre as religiões no contexto do que estão fazendo para o bem da paz, para o bem da humanidade. É uma corrida humanitária... que conduz tanto a si como os outros para a felicidade. Isto pode ser disputado de várias formas. Por exemplo, na criação de excelentes valores humanos que contribuam para a paz do mundo ou na promoção de movimentos que proporcionem coragem e esperança para as pessoas.” (Vol. 5, págs. 87–88.)
Com base nesses pontos, vamos estudar o budismo para que possamos defender nossa fé convictamente, sem, no entanto, desrespeitar a fé dos outros.

Dez pontos para o desenvolvimento pessoal

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Escrito por Jeanny Chen   
10 pontos para o crescimentoNitiren Daishonin escreve em “Comportamento do Buda”: “Cada um dos senhores deve acalentar esta resolução: sacrificar a sua vida por causa do Sutra de Lótus é como trocar uma pedra por ouro ou imundice por alimento” (END, vol. 1, págs. 155-156). Em essência, estamos trocando um destino infeliz por uma vida feliz. Conquistamos isto orando seriamente, atuando pelo Kossen-rufu e combatendo as influências negativas na nossa vida e na nossa sociedade. Poderia parecer que precisa-se de muito tempo para mudar os grandes problemas transformar nossa vida desde suas raízes - mas isso deve-se a que o ouro que recebemos em troca das pedras que foram alguma vez nossa vida é: mais boa sorte, mais benefícios e uma felicidade que nunca teríamos imaginado.
 
Jeanny Chen nasceu em Taiwan – sendo o chinês sua língua materna – e emigrou aos Estados Unidos em 1986. Teve uma infância difícil em Taiwan. O negócio do seu pai fracassou várias vezes.

"Cada vez, para poder fugir dos credores, tínhamos que mudar para uma nova cidade e começar de novo. Numa ocasião minha mãe foi parar na cadeia durante um ano e meio porque meu pai tinha usado seu nome para montar um negócio e deu cheques sem fundos. Lembro que devido à situação caótica da minha família, fui parar em quatro orfanatos durante minha adolescência. Minha irmã caçula e meu irmão mais velho não conseguiram suportar estes sofrimentos e viraram uns fracassados. Eu virei cínica e ressentida."

Jeanny tornou-se membro da SGI faz onze anos e desenvolveu dez pontos para obter o máximo benefício da prática através da sua própria experiência. Abre a sua apresentação dizendo:

Gostaria de compartilhar com vocês os dez pontos chaves que aprendi e apliquei durante meus anos de prática. Eles me permitiram conseguir grandes resultados. Não é minha intenção fazer ostentação de dinheiro nem exagerar. Meu único objetivo é ilustrar de maneira concreta os resultados que consegui criar através da minha prática ao Gohonzon.

Gostaria de pedir-lhes que imaginem que tenho um punhado de pedras numa mão e na outra um colar de ouro maciço. É difícil conseguir pedras? São caras ou difíceis de obter? Não! E obter ouro? É muito caro! Não seria maravilhoso se pudéssemos trocar livremente pedras por ouro? Como praticantes do budismo de Nitiren Daishonin, definitivamente temos o poder para fazer um intercâmbio tão inacreditável.


1.     Fé

Dito o anterior, comecemos com o primeiro dos dez pontos chaves, a fé. Nitiren Daishonin diz em “A Estratégia do Sutra de Lótus”: "Não importando o quão incessante Nitiren ore por você se a sua fé for fraca, será como tentar atear fogo na lenha molhada” (MW, pág. 1.000). É importante que desenvolvamos a nossa fé. Para alguns de nós isto não acontece fácil ou rapidamente.

Há várias coisas que podemos fazer para fortalecer a nossa fé. Primeiro, podemos praticar com afinco para obter resultados ou benefícios. Segundo, podemos assistir às reuniões de diálogo (palestra) e escutar as experiências dos nossos companheiros. Terceiro, podemos estudar as publicações da Soka Gakkai para aprofundar nosso entendimento do budismo. E quarto, podemos entrar em contato com as pessoas com maior experiência na fé para obter orientação e incentivo.

O benefício do Gohonzon é crescente, infinito e não tem limites. Meu filho recomenda-me para ser cuidadosa quando digo "crescente", porque se digo que a prática deste budismo é "crescente" vou causar medo às pessoas.

Bom, os que duvidarem da validade destes conselhos, pelo menos concedam-me o benefício da dúvida.

2.     Missão

Agora, o segundo ponto chave é ter um propósito na vida, uma Missão.

Algumas vezes pensamos que nossa missão deva ser o sofrimento. Porém, porque sofremos, estamos dispostos a esforçarmos na prática deste budismo. Enquanto pratiquemos correta e sinceramente, conseguiremos benefícios e superaremos nossas dificuldades. Estas experiências fortalecem nossa fé e nos permitem mostrar a prova real. Como resultado, teremos o desejo e a credibilidade para iniciar outras pessoas no budismo. Assim, concretizaremos nossa missão de propagar este budismo; precisamos milhares de pessoas que mostrem a prova real, cada uma sob circunstâncias diferentes. Não se trata de que só alguns praticantes tenham boa sorte e desfrutem de benefícios. Todos temos esse potencial.

Qual é nossa missão dentro do budismo de Nitiren Daishonin?

Nossa primeira missão é que cada um de nós seja feliz. A segunda missão é ajudar a outros a serem felizes, que é o que chamamos Kossen-rufu ou paz mundial. É muito importante apoiar nosso mestre, o presidente da SGI, Sr. Ikeda e apoiar a missão da Soka Gakkai Internacional de promover a paz, a cultura e a educação assim como desenvolver pessoas capazes e positivas que se tornem os jovens sucessores para o século vinte e um.


Gostaria de compartilhar com vocês uma história. Depois de ter conquistado as minhas metas pessoais no terreno do dinheiro durante meu terceiro ano de prática, eu já estava pronta para parar de trabalhar. Como nova imigrante chinesa, meu inglês era muito pobre, e pensei que isso me impediria de fazer algo importante. Ao invés de frustrar-me pela minha escassa habilidade com o idioma inglês, orei para poder fazer algo que criasse valor com meu único recurso que era falar chinês. Pouco tempo depois me encontrava escrevendo cartas para meus amigos e boletins (Newsletters) para um grupo de escoteiros que era formado por cem rapazes chineses. Depois, comecei a fazer os boletins (Newsletters) de uma escola chinesa com 1.000 alunos. Decidi que ajudaria naqueles lugares aos quais ninguém mais lhes dava importância. Eu aproveitava meu elevado estado de espírito, a felicidade e a sabedoria que derivavam da minha prática, para escrever com estilo humanístico e com senso de humor. Mesmo não mencionando o budismo, podia alegrar meus leitores e criar uma relação de coração a coração com eles. Quando parei de escrever os boletins, meus amigos me presentearam com uma lâmpada.

Também me deram um cartão assinado por todos que dizia: "Jeanny, você é como uma lâmpada. Brilhas com luz própria e iluminas aos que te rodeiam". No grupo de escoteiros me converti em algo semelhante com uma heroina e na escola chinesa me apelidaram de "super enlace" entre a escola e os pais de família. Esta era minha forma de trabalhar pelo Kossen-rufu quando ainda não era capaz de compartilhar a filosofia do budismo de Nitiren Daishonin com os outros.

Orava para obter sabedoria e assim poder encontrar minha habilidade e minha fortaleza única; aquilo que pudesse desenvolver como a minha própria missão na sociedade. Atribuía-me missões específicas quando via uma oportunidade.


Quando desde o fundo de nosso coração temos o senso de missão pelo Kossen-rufu, sem que seja uma mera formalidade, conseguimos nossas metas. Um aspecto muito importante sobre a missão é o conceito de espírito Soka. A intenção do espírito Soka é nos permitir atingir o estado de Buda através de vencer a maldade que tenta destruir o movimento do Kossen-rufu e nos afastar de nossa felicidade individual. O presidente Ikeda disse recentemente que ninguém pode permanecer como simples observador nestes tempos críticos. Todos precisamos ser parte da batalha.

3.     Metas

O terceiro ponto é ter metas. No livro “Aprendendo do Gosho: Os Eternos Ensinamentos de Nitiren Daishonin”, o presidente Ikeda cita o mestre budista chinês Tien-t’ai, "O coração é como um hábil mestre de pintura". O presidente Ikeda disse que "devemos pintar no nosso coração a visão de nossa vida, de maneira tão detalhada como for possível. Este “quadro” se converte no desenho de nosso futuro". Neste sentido, desenhar nosso próprio futuro significa ter metas - nossas metas pessoais, metas com respeito à felicidade de outros e metas com respeito ao movimento de paz da SGI.


Geralmente nos dizem que as metas devem ser específicas e detalhadas.
Devemos estabelecer metas ambiciosas e audazes. Quanto mais incansáveis nos pareçam, maior será a recompensa que sentiremos quando as conquistemos. Também podemos estabelecer metas com as quais nos sintamos cômodos. Basicamente estabelecemos metas para superar dificuldades e criar valor.

Neste ponto, gostaria de compartilhar com vocês a experiência da minha campanha de Daimoku pelo sucesso na carreira do meu esposo. Dois anos após ter parado de trabalhar, tinha acumulado suficiente sabedoria para perceber que tinha que fazer algo muito seriamente com respeito à carreira do meu esposo se quisesse desfrutar a vida dalí em diante. Queria que ele fosse vitorioso para poder estar livre de preocupações de dinheiro de uma vez por todas, já que assim poderia dedicar todo meu tempo para ajudar os outros. Também queria pagar-lhe por todo seu amor. Adicionalmente queria mostrar uma grande prova real para poder propagar este budismo mais efetivamente. Em outras palavras, queria poder ficar na minha casa e não ter que voltar a sair para trabalhar. Tinha vivido na moleza durante dois anos! Naquela época, a muitas fujimbus e joshibus também gostaram dessa idéia!

Inclusive, na conferência de estudo do ano passado, teve um sonembu que fez seu objetivo de orar para que sua esposa fosse vitoriosa, para que ele pudesse ficar na casa. No budismo não há discriminação sexual, assim que, tomara consiga!

Queria que as pessoas valorizassem a habilidade do meu esposo para que ele pudesse ter sucesso e avançasse na sua carreira. Eu tracei uma meta muito ambiciosa, que nunca teria sequer imaginado se não estivesse praticando este budismo. Fiz com grande meticulosidade no referente ao "como", "que" e "para que" deveria ele chegar a ter um grande sucesso. Não estabeleci o "quando" já que esta era minha primeira meta verdadeiramente grande. Não tive a coragem para fixar um tempo limite. Eu estava disposta a orar durante todo o tempo que fosse necessário. Também orava pela nossa relação – nosso amor, nossa saúde, nosso crescimento e nossa felicidade. Foram necessários três milhões de Daimoku e como 18 meses para conquistar estes objetivos. O resultado foi que a carreira do meu marido chegou muito além do que teria pensado ainda nos meus sonhos mais mirabolantes. Foi tornando-se realidade exatamente como o tinha estabelecido, cada passo, cada detalhe. Sua habilidade, experiência e capacidade no seu ramo foram as "causas internas" conforme o conceito dos "dez fatores". Porém, durante anos não lhe foi possível encontrar a oportunidade certa para usá-las. Minha meta, minha determinação e minhas orações converteram-se na "causa externa" que o levou ao lugar exato no momento adequado. Assim é como funciona nossa prática. O mais importante, nossa relação, nosso amor, puderam crescer e fortalecer-se cada dia. Vocês se perguntarão como uma pessoa pode amar a outra cada dia mais. Podemos fazê-lo porque os benefícios do Gohonzon são crescentes, infinitos e ilimitados.

A conquista destes objetivos me deu a prova de que nada é impossível com o Gohonzon - nada! O Gohonzon é muito poderoso e criativo. Por favor, não temam aspirar a chegar à lua! Fixem uma meta e lutem por ela!

4.     Determinação

Agora que temos convertido todos nossos sonhos e desejos em metas bem concretas, o seguinte passo é meu quarto ponto chave – a determinação.

Devemos ter a determinação de mudar, a determinação de nunca nos darmos por vencidos e a determinação de atuar corretamente, agora! Falemos da determinação de mudar. Significa fazer a revolução humana. É importante mudar nossa tendência básica para poder mudar nosso destino e nosso carma. Se não o fizermos, simplesmente estaremos repetindo os mesmos padrões de vida. Por exemplo, quando repetidamente nos encontramos com uma mesma situação, novamente respondemos com a mesma atitude e a mesma ação. Literalmente, estaremos criando o mesmo resultado. A revolução humana não é um slogan. É algo muito importante, muito prático e muito real. Necessitamos orar para obter a sabedoria para reconhecer nossas limitações e pontos fracos e para obter a energia para mudá-los. Temos que deixar para trás nossos velhos maus hábitos e ver as coisas desde um ângulo diferente. Não devemos ser indulgentes com nós mesmos.

Agora falemos de nunca dar-nos por vencidos. Uma vez que temos estabelecido nossas metas, não há volta atrás. Não há "e se não quero comprometer-me?”.

Não aceito um "não" como resposta. Seria tão obstinada como fosse possível para manter-me fiel às minhas metas. Esta é a melhor oportunidade para demostrar-me: quão obstinada posso ser!

Mas, como nos mantermos firmes? É tão difícil! Devemos refrescar nossa determinação diariamente através de nossas orações pela manhã e à tarde e orando tanto Daimoku como possamos. Também nos ajuda a manter uma condição de vida elevada assistir às atividades da SGI regularmente. Geralmente, quando regresso de uma atividade da SGI sinto-me muito emocionada. Meu marido brincava comigo dizendo-me "Por quê está tão emocionada? Que cavalheiro viu na reunião?".

Quando oro, tento não concentrar-me nos meus sofrimentos. Ignoro-os e vivo pacificamente com eles. O que mantenho na minha mente são minha clara determinação e minha meta final. Sem importar qual pareça ser a realidade da situação, sem importar o que as outras pessoas pensem ou falem, mantenho-me inamovível na minha meta e oro ao Gohonzon para conquistá-la. Vejo o processo da minha campanha de Daimoku para atingir minha meta como se fosse um duro treinamento para forjar-me, desenvolver-me e transformar-me. É como preparar-se para a colheita. Se não estamos prontos, não poderemos desfrutar ao máximo do benefício de atingir nossa meta. Necessitamos paciência conforme oramos com o único objetivo de conquistar nossa meta. Não importa quanto tempo for necessário, não importa quão difícil seja, devemos continuar orando até chegar lá. E chegaremos! Eu costumava garantí-lo às pessoas, mas isso soava a comercial de televisão, por isso deixei de fazê-lo. Porém, tenho certeza disso. Honestamente tenho certeza de que conquistaremos qualquer coisa sendo persistentes. Façam a determinação de agir corretamente agora. Gostaria muito de incentivá-los para que comecem agora. Este é o momento.

5.     Daimoku

Até aqui, temos fé, entendemos nossa missão, temos fixado nossas metas e determinamos não derrotados até atingir nossos objetivos. Daqui em diante necessitaremos de grandes quantidades de Daimoku. A chave número cinco é o Daimoku – recitar Nam-myoho-rengue-kyo. Além de nossas orações da manhã e da tarde devemos recitar tanto Daimoku como nos for possível. A chave é abundante oração. Sabem, uma das coisas curiosas sobre o budismo é que tudo é chave. Neste artigo temos 10 pontos chave, e há chaves dentro de cada ponto. Porém, o presidente Ikeda tem falado em repetidas ocasiões sobre a importância do Daimoku. Algumas das suas frases que me vêm à mente são: "Não há estratégia melhor que a do Sutra de Lótus", “Orem até que seu aspecto se ilumine", "Avancemos sempre com daimoku em primeiro. Não há como sua vida não mudar".

Houve um lema que utilizei nas minhas campanhas de Daimoku pelo sucesso do meu marido, "Recite um Daimoku que estremeça o universo". Bom, o que na realidade devemos fazer é recitar um Daimoku que faça estremecer nossa própria vida desde os seus alicerces, os quais estão conectados com o universo. Quando oramos, o fazemos com um espírito penetrante e com profunda determinação, sentindo que este é um assunto de vida ou morte e que esta é a nossa única oportunidade na vida. Quando oramos com outras pessoas isto nos ajuda a desenvolver um vigoroso ritmo; mas também devemos ter uma prática por motivação própria.

Não podemos ficar dependendo sempre do apoio dos outros. Podemos querer orar várias horas ou mais por metas muito grandes. Podemos ir avançando passo a passo. Mas se nem sequer começamos, nunca chegaremos ao ponto de recitar várias horas por dia quando tivermos uma emergência. A chave do Daimoku é fazê-lo alegres, não com sentimento de obrigação. Necessitamos orar até sentir-nos satisfeitos. Lutar para recitar Daimoku é uma manifestação da nossa firme determinação. Se não tenho emprego e não posso orar várias horas por dia, não posso dizer que estou lutando. Porém, se você tem um emprego de tempo integral, responsabilidades de família, etc. e ainda assim dá um jeito para recitar tanto Daimoku como lhe for possível, isso é lutar!

Quando tenho estado realmente lutando por algo crucial na minha vida, fiz da oração minha primeira prioridade. Deixei de lado a ociosidade e dediquei-me totalmente à minha campanha de Daimoku. Ligavam-me minhas amigas para convidar-me para festas ou para sair às compras e eu lhes respondia que estava ocupada.

Elas no entendiam por quê estava ocupada. Mesmo não tendo emprego, dava-lhe à minha campanha de Daimoku o sentido de ser a minha única responsabilidade, além de cuidar da minha família. Nada era mais importante.
Quando oramos, podemos ver os resultados nitidamente com todos nossos sentidos, ver que nossas metas se realizam perante nossos olhos. Sentimos a alegria e a emoção de atingir nossos objetivo. É importante que durante nosso objetivo de Daimoku fiquemos fortalecendo-nos constantemente lendo as escrituras de Nitiren Daishonin e as orientações do presidente Ikeda. Também podemos usar as experiências de outras pessoas para nos sentir incentivados.

Quando estava orando pelo sucesso do meu marido, li a história de Victor Frankle. Ele esteve preso num campo de concentração nazista durante a Segunda Guerra Mundial. Desejava fugir do campo de concentração para poder contar sua história ao mundo inteiro. Numa ocasião em que estava trabalhando fora das barracas, viu uma pilha de cadáveres, todos sem roupa.

Nesse momento começou a planejar sua fuga. A seguinte ocasião que esteve fora das barracas foi sua oportunidade. Esperou até o anoitecer, tirou a roupa e misturou-se entre a pilha de cadáveres, fazendo-se passar por morto. Mais tarde os cadáveres foram tirados do campo de concentração.

Daí ele correu 25 quilômetros para alcançar sua liberdade. Imaginem seus captores quando repararam que tinha fugido, devem ter procurado até o cansaço. Por outro lado, ele andava sem roupas, sem água nem comida. Era uma situação muito perigosa e difícil. Mesmo assim, conseguiu! E agora, ele tem compartilhado sua experiência através dos seus livros e sua história tem comovido às pessoas de todo o mundo.

Desde que conheci sua história tenho comparado minhas horas diárias de Daimoku com sua corrida de 25 quilômetros. Tenho orado no conforto do meu lar. Tem sido muito mais fácil que correr 24 Km nas circunstâncias nas quais ele o fez. Lembro que uma vez pensei: "Se ele conseguiu, eu também vou conseguir. E vou contar minha experiência a todo o mundo". Daí em diante, tenho corrido 25 Km na minha mente cada vez que orava. Cada Nam-myoho-rengue-kyo era como um passo aproximando-me à minha meta.

Necessitamos de uma profunda oração quando recitamos Daimoku, mas lembrem, nada de rogar. Sempre orem ao Gohonzon manifestando sua determinação de atingir suas metas, sem importar o que acontecer! Já que temos diferente missão e diferente carma, cada um de nós obteremos um resultado diferente numa velocidade diferente. Mas se há algo do que podemos ter certeza é de que se investirmos 10% de esforços, obteremos 10% de resultados.

Quando investimos 100% de esforços, com toda certeza colheremos 100% de resultados.

6.     Ação

Bom, a continuação temos a chave número seis – Agir. Tudo fica vazio sem a ação. No budismo, temos que agir. Temos que dizer a nós mesmos: "Sou a única pessoa que pode fazê-lo. É meu carma, meu destino. Quando conquistar minhas metas, será minha felicidade e minha boa sorte".

Gostaria de compartilhar minha experiência de atingir minha primeira meta. No início da minha prática, que foi três anos após ter imigrado desde Taiwan, compramos uma casa endividando-nos fortemente. Meu marido estava muito preocupado, e eu também! Eu era tão nova nesta prática que pensava: "se não abro a janela quando recito Daimoku, mesmo assim meu Daimoku chegará ao universo e funcionará?". Porém, aprendi que devia estabelecer metas e orar para conquistá-las. Fixei uma meta financeira muito elevada para mim, o que significava ganhar 8 vezes mais do que ganhava. Isto foi há onze anos. Minha segunda meta foi reduzir nossa dívida para fazê-la mais gerenciável. E minha terceira meta foi que meu marido me amasse mais e mais a cada dia.

Três meses depois, sem procurá-lo, apareceu-me um emprego de vendas numa empresa de computadores. Devido à grande quantidade de Daimoku acumulada apareceram muitas oportunidades de negócios que atribuí aos deuses budistas, as funções protetoras do universo. Com a sabedoria e energia que tinha desenvolvido através do Daimoku, detectei várias oportunidades e agi para criar negócios. Nessa época era, e ainda continuo sendo, ignorante a respeito de computadores. É surpreendente que depois de trabalhar dois anos e meio na indústria de computação, tenha conseguido conquistar minhas duas primeiras metas. O ponto é que, com o benefício desta prática, pude ter sucesso mesmo sendo muito inexperiente. Mas isto não teria sido possível se não tivesse feito os esforços suficientes ou se não tivesse agido.

Permitam-me sair do assunto um momento para compartilhar com vocês duas anedotas. Uma vez estava trabalhando e quando apresentei-me como Jeannie, o cliente me perguntou "você é o gênio da garrafa?". Todos conhecemos o gênio da garrafa do velho seriado da televisão. Era uma mulher bonita, que sempre saía adiante. E principalmente tinha magia para converter tudo em qualquer coisa que quisesse. Eu tinha visto o programa antes mas nunca tinha pensado nisso até esse momento, "Sim, sim, eu sou o gênio da garrafa" respondi. Estava muito contente pela minha nova imagem recentemente descoberta. A partir desse dia eu pensava, respirava e atuava como se fosse o gênio da garrafa.

A outra anedota ocorreu quando acabava de começar a orar pelo sonho impossível que era a carreira do meu marido. Meu filho imprimiu meu horóscopo e chamou-me a atenção pois dizia: "Concentre-se em transformar as ilusões em realidades". Nesse momento, eu era ainda muito nova na prática, não tinha a menor idéia de como iam realizar-se minhas metas. Essa frase foi como uma poderosa afirmação para continuar com meu objetivo. Imediatamente fiz minha a frase e declarei perante o Gohonzon que daí em diante, com toda minha energia, praticaria este budismo totalmente centralizada em fazer realidade meus sonhos.


Quando praticamos o budismo de Nitiren Daishonin podemos alcançar uma imensa sabedoria e energia vital, escolher algo grande ou pequeno e fazer que funcione maravilhosamente para nós. Lembrem que todo o universo está ao nosso alcance. A pergunta é: temos coragem para aspirar tê-lo?

Com respeito à minha meta referente ao amor, não me limitei a orar e ficar sentada esperando que acontecesse. Fiz a minha parte.

Naturalmente, o resultado que consegui estava além da minha compreensão. É a meta mais inteligente que estabeleci para a minha vida. Tenho mais de vinte e três anos de casada e cada dia, a cada momento, ainda estou vivendo minha lua de mel. É inacreditável.

 

Esta não é a vida que imaginei quando era criança. Sofri muito durante a minha infância. Tornei-me cínica e ressentida. Pouco depois de ter começado a praticar este budismo, meu marido começou a comentar: Por quê cada vez que olho para você, te vejo tão feliz? O que aconteceu? É fácil fingir sorrisos quando estamos com amigos mas não podemos fingir em casa. Um dia meu marido me disse: “Como te vejo tão contente, isso me faz sentir ainda mais contente do que você. Sou tão feliz que não sei o que fazer. É demais". Além de tornar-me feliz e vitoriosa como resultado dos meus esforços, reparei que sobressaía em todos os grupos em que me integrava. Meu esposo via como as pessoas me apreciavam. E ele sentia muito orgulho de mim. Também, devido à minha revolução humana, desapareceram a maioria das minhas limitações e pontos fracos, o que permitiu que a vida do meu marido fosse muito mais fácil. Provei-lhe, através das minhas atitudes, que sou merecedora do mais terno amor. Vocês poderiam tentar esta fórmula em casa. Funciona. Como resultado, meu esposo realmente aprecia minha prática budista. Apoia totalmente à SGI.

Cada um destes pontos chaves, requerem da sua ação correta para realizá-los. Para construir uma fé forte requer-se ação.

Recitar Daimoku é uma ação incessante. Espero ser clara na idéia de quão importante é atuar corretamente.

7.     Estudo

O sétimo ponto chave é o Estudo. Quando a maioria das pessoas pensa no estudo, a primeira coisa que lembram é da escola e pode ser que não tenham boas lembranças. E na SGI também há exames. As pessoas costumam pensar "Poxa, não quero voltar à escola". Como humanos, adquirimos o conhecimento lendo, dialogando e escutando. O estudo é parte fundamental da prática deste budismo. O mais profundo desta filosofia está disponível através de vários programas na SGI. Temos as Conferências do Centro da Cultura e da Natureza de Florida, reuniões de estudo para exame, reuniões de estudo mensais e outras.

No livro de orientações do presidente Ikeda “For Today and Tomorrow” (Para Hoje e Amanhã) (pág. 180) diz: "O estudo do budismo é a alma da SGI". Devemos fazer a causa assinando e lendo as publicações da SGI e as orientações do presidente Ikeda. Necessitamos ler “Os Principais Escritos de Nitiren Daishonin”. Cada dia devemos estudar mesmo que seja uma frase ou um parágrafo como se cada palavra tivesse sido escrita para nós, para nossa vida. Quando as coisas não estão saindo como gostaríamos, ou quando estamos vivendo alguma crise, o que nos mantêm avançando até superar esses momentos, é precisamente o entendimento da filosofia de vida do budismo. Confio em que cada pessoa seja capaz de entender a importância do estudo.

8.     Compartilhar o Budismo

O oitavo ponto chave é compartilhar o budismo com os outros. O desejo de Nitiren Daishonin é a paz e a felicidade de todas as pessoas através da propagação do budismo. Não existe causa maior que recitar Daimoku e compartilhar este budismo e o movimento de paz da SGI com as pessoas.

Devemos fazer essa grande causa para transformar nosso próprio carma. Tenho chegado ao ponto em que desfruto muito compartilhando este budismo. Sinto-me muito orgulhosa e sinto-me muito afortunada de poder praticar este grande budismo na organização SGI. Quando compartilho este budismo é como um presente de valor incalculável que ofereço a outra pessoa.

É uma poderosa ferramenta que ponho nas mãos da outra pessoa para mudar seu destino e para que a transmita aos outros. Algumas vezes, iniciar aos outros nesta prática nos leva muito tempo – devemos plantar as sementes. Se temos sucesso nesta ocasião ou não, não muda o fato de que fizemos a mesma causa e que vamos conservar o prezado presente para nós - não está nada mal!

A maneira mais fácil de iniciar outros neste budismo é gerar uma grande prova real na nossa vida. Tenho muitas experiências nas quais mesmo sem mencionar a prática, meus amigos sentiram-se atraídos para o budismo simplesmente porque minha prova real falava por si mesma. A prova real é como um imã para as pessoas que estão procurando melhorar sua qualidade de vida.

Meu filho mais velho acaba de formar-se na Universidade de California em Berkeley este ano (2.000). Um dia do último semestre, ligou para casa muito agoniado. Perguntou-me como eu fazia para manter minha condição de vida tão alta na maior parte do tempo. Foi uma grande oportunidade para dialogar com ele; foi a primeira vez que não só compartilhava com ele minha prática budista mas que também escutava a opinião que ele tinha de mim. Sempre me perguntava o que pensaria meu filho vendo que cada dia dedicava muito tempo à minha prática budista. Pensaria que sua mãe era tão boba que desperdiçava sua vida orando hora após hora? Caramba, que alívio! Sua resposta foi muito doce e positiva. Ele não teria me procurado para buscar consolo e incentivo se não tivesse visto a prova real. Como resultado, começou a praticar.

 9.     Compartilhar nossas experiências

Agora chegamos ao nono ponto chave – Compartilhar Nossas Experiências.
No livro do presidente Ikeda "Preleção dos Capítulos 'Hoben' e Juryo'" ele diz: "A experiência vitoriosa de um único indivíduo pode prover coragem, esperança e uma sincera compreensão para muitas pessoas”. Devemos compartilhar a essência de nossas experiências, não só os resultados. Gostaria de incentivá-los para que orem para obter a sabedoria para saber a melhor forma de compartilhar sua luta, sua determinação e os esforços que realizaram; desta forma as pessoas levarão consigo informação concreta – sabendo como podem esforçar-se eles também. É assim como criamos a mais valiosa de todas nossas prezadas experiências.

10. Continuar com a nossa prática

Muito bem, temos abarcado tudo, então, qual acham vocês que seja o décimo ponto chave? Continuar na nossa prática da fé. A meta deste budismo é atingir nossa felicidade e a dos outros. Quando temos alcançado nossas metas pessoais, temos maior capacidade para ajudar outros. Num sentido mais profundo, este é o começo real da nossa prática, e não o final. A lâmpada que acendemos para iluminar outros, ilumina nosso próprio caminho.

Quando nos esforçamos pela felicidade dos outros, simultaneamente estamos ajudando-nos a nós mesmos. Uma vez que fazemos realidade nossos sonhos e nossas metas, não devemos fraquejar na nossa fé. É uma luta contínua na vida entre o negativo e o positivo, entre o bem e a maldade. Se deixamos de polir nossa vida, nesse momento um benefício pode ser um obstáculo. Também é muito importante apoiar nossa organização em tudo o que for possível.

Espero não ter lançado demasiadas chaves para vocês! Estão prontos para agir?

Não haverá quem os detenha! A chave máxima está nas suas próprias mãos.
Espero que em pouco tempo possam dizer que conquistaram mais benefícios do que ninguém e que são as pessoas mais felizes do mundo.

A verdade é que somos budas

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Escrito por Jornal Brasil Seikyo 1955   
A verdade é que somos budasO meio secreto e místico é exemplificado na “Parábola da Pedra Preciosa Escondida no Manto”, narrada em “Profecia da Iluminação para Quinhentos Discípulos”, o oitavo capítulo do Sutra de Lótus. Essa parábola narra sobre um homem que, ao visitar seu amigo, é recebido com várias garrafas de vinho. Ele se embriaga e cai adormecido. O amigo, tendo de sair com urgência, costura antes uma gema de valor incalculável no forro da roupa do visitante ...
O visitante, ao acordar, não encontra o amigo e, não percebendo que possuía a gema, vaga pelo mundo passando por dificuldades, vivendo sempre na penúria. Tempos mais tarde, ele reencontra o amigo, e só então descobre que durante todo aquele período tivera em seu poder uma gema inestimável.
O amigo (o Buda) sabia que o outro possuía a gema em sua roupa (o mundo do estado de Buda em sua vida), embora o visitante (os seres dos nove mundos) não compreendesse isso.
Um ser humano comum é um buda. Isso é difícil de compreender. Se não acreditarmos que possuímos a natureza de Buda, ela permanecerá eternamente “secreta”. Porém, uma vez que a reconhecemos, ela deixa de ser “secreta” e nossos poderes “místicos” evidenciam-se.
O segundo presidente da Soka Gakkai, Jossei Toda, disse certa vez: “O fato de sermos mortais comuns, seres não-iluminados, é o meio secreto e místico. A verdade é que somos budas”. Perceber essa verdade é compreender o meio secreto e místico.
Embora sejamos budas, nascemos como mortais comuns. Isso quer dizer que, por meio de nossa revolução humana e mostrando a prova real da Lei Mística, podemos realizar o Kossen-rufu. Se desde o início tivéssemos tudo, boa saúde e riquezas, então as outras pessoas não compreenderiam o poder da Lei Mística. Dessa forma, tentamos revelar a Lei para essas pessoas por meio de nosso empenho como mortais comuns. Esse é o meio secreto e místico.
Ou seja, todos nós que acreditamos no Gohonzon, o Sutra de Lótus dos Últimos Dias da Lei, e que estamos lutando em meio à realidade do nove mundos, exemplificamos o meio secreto e místico.
Enquanto vivermos sempre com base no Gohonzon, todos e quaisquer sofrimentos tornam-se meios para fortalecermos e consolidarmos o mundo do estado de Buda em nossa própria vida. Os sofrimentos e as alegrias e tudo o que nos ocorre são os meios para revelarmos o poder da Lei Mística.
A palavra “místico” indica a natureza maravilhosa e insondável da própria vida. Em outras palavras, os nove estados são todas as entidades do estado de Buda. Esse é o princípio de que “os nove estados têm o potencial para o estado de Buda”. E quando se compreende essa verdade, torna-se aparente que o estado de Buda não se manifesta em algum lugar distante dos nove estados dos seres vivos. Ele aparece dentro dos nove estados. Esse é o princípio de que o “estado de Buda contém todos os nove estados”.

Mudo, logo meu ambiente se transforma

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Escrito por TERCEIRA CIVILIZAÇÃO, EDIÇÃO Nº 493, PÁG. 70, SETEMBRO DE 2009   
Mudo, logo meu ambiente se transformaQuantas vezes ouvimos as pessoas dizerem que precisam mudar? Também são comuns as expressões: “Mudar para melhor!” e “Você precisa mudar”. De tanto pensar em mudar, consultei o Dicionário Aurélio para saber o real sentido da palavra. Um dos significados é “tornar-se diferente do que era”.
Como é possível ser diferente num mundo cada vez mais conturbado? Durante as atividades diárias, é comum encontrar inúmeras situações negativas que parecem delinear como conduziremos nossa existência. Nessas ocasiões, tendemos a acreditar que o ambiente externo determina tudo. Por vezes, ficamos impressionados e paralisados com esses efeitos, resignando-nos com ilusões.
Em momentos assim, geralmente, o primeiro passo é querer modificar a realidade. Porém, mudar não é um mero deslocamento físico. Com a perseverança e a continuidade na prática do Budismo Nitiren, percebo que mudar é algo manifestado a partir do coração. Assim, a pessoa “torna-se diferente do que era”, pois melhorou e avançou.
Na realidade, a pessoa continua sendo a mesma. O que ocorre é uma mudança profunda na consciência e na postura a partir do seu interior. A felicidade é manifestada no ambiente em que se vive, pois as pessoas ao redor se sentem inspiradas pela transformação alheia e reagem no mesmo nível elevado de vida.
Mudar é transformar! Que tal utilizarmos a expressão: “Eu mudo, o meu ambiente se transforma”? É importante modificar a própria maneira de avaliar e de agir perante determinada situação ou de agir para gerar avanço, criando um ambiente positivo e próspero.
O budismo ensina sobre a importância de “orar e agir”. Na prática, esse conceito é a transformação do coração. Assim, percebemos o que é realmente a oração seguida da ação, mudando a si e o ambiente.
Nitiren Daishonin afirma no escrito “Sobre atingir o estado de Buda nesta existência”: “Se buscar a iluminação fora de si, então, mesmo que realize dez mil práticas e dez mil boas ações tudo será em vão”.
A fim de demonstrar essa transformação concreta em nossa vida diária de forma natural, é necessário o empenho na contínua recitação do Nam-myoho-rengue-kyo. Essa grande transformação é o que denominamos revolução humana.
Praticamos o Budismo Nitiren para concretizar o Kossen-rufu. Não há paz mundial sem pessoas felizes. Somente quando cada ser humano se sentir feliz com as mudanças constantes em sua vida agirá com gratidão e promoverá mais ações para que os outros também experimentem essa alegria. Transformar a tristeza em felicidade, a incerteza em convicção, o lamento em decisão!
O presidente da SGI, Daisaku Ikeda incentiva todos nós a transformarmos, a vencermos e a jamais sermos derrotados. No prefácio do livro Revolução Humana, consta: “Seja como for, a grandiosa ‘revolução humana’ de uma única pessoa vai um dia impulsionar a mudança total do destino de um país e, além disso, será capaz de transformar o destino de toda a humanidade”.
Mudar é vencer na vida e viver essa vitória no próprio ambiente!

A dificil arte de lidar com o dinheiro



A difícil arte de lidar com o dinheiro PDF Imprimir
Escrito por JORNAL BRASIL SEIKYO, EDIÇÃO Nº 1695, PÁG. C1   
Arte de lidar com o dinheiroCerta vez uma jovem perguntou ao presidente Ikeda quais qualidades as mulheres e os homens deveriam procurar em seus parceiros. E um dos itens válidos para ambos os sexos é saber lidar com o dinheiro.
Uma pessoa pode passar por dificuldades no presente, mas se souber administrar bem suas finanças, poderá construir algo no futuro. Do contrário, sempre enfrentará dificuldades ao longo da vida.
Quando jovem, o presidente Ikeda tinha dificuldade em economizar e seu mestre, Jossei Toda, o repreendia constantemente. Ele conseguiu vencer essa tendência de sua vida e evitou futuros problemas quando constituiu uma família.
No livro Revolução Familiar ele cita o exemplo de uma jovem que, ao receber seu primeiro salário, é aconselhada por um veterano da firma a guardar uma parte até conseguir comprar um diamante. Ele diz que um diamante é uma das posses mais desejadas pelas pessoas, é fácil de guardar por seu tamanho e seu valor permanece inalterado. E, no futuro, no caso de uma emergência, ela poderia penhorá-lo. A jovem não levou à sério suas palavras e lamentou posteriormente por não ter seguido o conselho dele.
O fato é que muitas pessoas têm dificuldades para administrar suas finanças. Richard Thaler, professor de economia comportamental, uma linha que aplica conceitos da psicologia à tentativa de racionalização da economia, falou à revista Você S/A (http://vocesa.abril.uol.com.br/ ), sobre a dificuldade que as pessoas têm de poupar.
Segundo ele, o principal motivo é a falta de autocontrole. Mesmo conscientes da necessidade de poupar, as pessoas simplesmente não conseguem. Ele cita certos fatores psicológicos que contribuem para esse comportamento, como a ausência da força de vontade, procrastinação e inércia. Além disso, há também dificuldade em definir o nível exato de poupança para cada item, até mesmo para aquelas pessoas que têm certa educação financeira. Quanto à poupar para aposentadoria, as pessoas tendem a achar mais fácil poupar para algo próximo ou mais concreto e, inconscientemente, dão um peso maior a supostas perdas imediatas do que à perspectiva de ganhos futuros.
Aquelas que possuem as características citadas por Thaler têm dificuldades de vencer a rotina, estabelecer metas a longo prazo e cumpri-las. E isso não afeta somente o lado financeiro, mas todos os aspectos de sua vida.
Por isso, o budismo ensina: “Torne-se o mestre de sua mente em vez de deixar que sua mente o domine.” (WND, pág.502.) Ou seja, encoraja as pessoas a vencerem a si mesmas, tomando o controle sobre a sua mente e não agindo de acordo com os impulsos do momento.
A prática diária em busca do auto-aprimoramento possibilita-nos extrair a sabedoria para superar as fraquezas do caráter e assim, realizar a revolução humana.
O presidente Ikeda diz: “As pessoas em geral carecem de força de vontade. Escolher o caminho mais fácil é uma característica da natureza humana. Indivíduos notáveis não se tornaram grandes da noite para o dia. Eles se autodisciplinaram para superar suas fraquezas, vencer a apatia e a inércia e se tornar vitoriosos na vida. A vida é uma constante luta consigo próprio; é um cabo de guerra entre o avanço e o retrocesso, entre a felicidade e a infelicidade. Aqueles que carecem de força de vontade ou de automotivação deveriam recitar Daimoku e orar com convicção para tornarem-se pessoas de força de vontade, uma pessoa que consegue lidar com qualquer problema com seriedade e determinação.” (Brasil Seikyo, edição no 1.448, 14 de fevereiro de 1998, pág. 3.)
O presidente Ikeda alerta, principalmente às mulheres, que não se tornem dependentes e alheias ao que se passa ao seu redor. Do contrário, elas ficarão fragilizadas e serão incapazes de tomar decisões com base em sua própria percepção dos acontecimentos.
Tendo como base a prática da fé e os conselhos do mestre, cada uma pode evidenciar a sabedoria para gerenciar suas finanças, seu tempo e seu trabalho da melhor maneira possível e assim, não ter qualquer tipo de arrependimento no futuro.

Como adquirir boa saúde com a prética budista

Como adquirir boa saúde com a prática budista PDF Imprimir
Escrito por BRASIL SEIKYO, EDIÇÃO Nº 1988, PÁG. A2   
Saúde e longevidade com a prática budistaA razão é um dos pontos fundamentais do budismo. Com relação à saúde, é um erro pensar que, pelo fato de ter fé no Gohonzon, pode descartar a necessidade de um médico ou de tratamentos. Esse modo de pensar contraria os ensinamentos do budismo.

Na carta “Transformação do carma determinado” (END, vol. 1, págs. 215–219), endereçada a Myojo, esposa de Toki Jonin, Nitiren Daishonin não somente explana a eficácia da prática budista para que ela vença sua doença, mas também recomenda que seja examinada por Shijo Kingo, que era médico. Em outras palavras, ele solicita-lhe que procure tratamento médico. Além disso, recomenda-lhe acumular boa sorte para que possa tomar medidas apropriadas e proteger sua vida.

O verdadeiro caminho da fé para uma pessoa acometida por uma doença é fortalecer a determinação de que recuperará a boa saúde e empreender ações sábias para esse objetivo. Em certo sentido, podemos dizer que praticamos o budismo justamente para enfrentar o momento mais difícil, como sofrer uma grave doença, com coragem e sabedoria. Esse é o momento de cada um provar sua verdadeira fé no budismo.

Em “Abertura dos Olhos”, Nitiren adverte: “Eu e meus discípulos, mesmo que ocorram vários obstáculos e maldades, desde que não se crie a dúvida no coração, atingiremos naturalmente o estado de Buda. Não duvidem dos benefícios do Sutra de Lótus mesmo que não haja a proteção dos céus. Não lamentem a ausência de segurança e tranquilidade na vida presente. Embora tenha ensinado dia e noite aos meus discípulos, todos, criando a dúvida, abandonaram a fé. O que é costumeiro no tolo é esquecer nas horas cruciais o que prometera nas horas normais”. (END, vol. 2, pág. 171.)
Os quatro sofrimentos da vida


O budismo expõe os quatro sofrimentos os quais ninguém pode evitar: nascimento, velhice, doença e morte. Assim, a doença ou a debilitação do corpo é uma condição que inevitavelmente ocorrerá na jornada da vida. Mas o budismo ensina a melhor forma de se viver, manifestando-se a sabedoria para manter boa saúde por meio da fé e acumulando-se a energia vital para vencer a doença. Esta aumenta a eficácia de um médico e dos remédios, que atuam como funções protetoras dos praticantes budistas.

Por outro lado, do ponto de vista budista, doença nem sempre é um fator negativo: o Sutra do Nirvana refere-se às pessoas que atingiram a iluminação ou a felicidade absoluta por meio da doença. Portanto, ela pode ser um fator positivo quando desperta as pessoas para a prática budista. O budismo considera ainda a doença como um trampolim ou uma força motivadora para a transformação do carma da doença, ensejando também a revolução humana.

Todos esses pontos levam somente a uma conclusão inevitável: realizar a prática budista com constância, doente ou não, é o imutável caminho de um genuíno praticante budista.

Dinheiro - solução para os problemas?

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Escrito por Revista Terceira Civilização   
Dinheiro - soluçaõ para os problemas?Não se pode negar que o dinheiro é uma das coisas que mais afetam a vida das pessoas.

O dinheiro originou-se do anseio natural do homem de suprir suas necessidades básicas de sobrevivência e de aumentar seu conforto.  Nos primórdios da civilização, o homem começou a permutar mercadorias. Mas, à medida que a sociedade foi evoluindo e tornando-se mais complexa, o sistema monetário foi se desenvolvendo e se aprimorando até chegar à forma que conhecemos hoje.

O dinheiro tornou-se tão imprescindível para a vida do homem que muitos o associam à conquista da própria felicidade. Contudo, pessoas ricas também passam por sofrimentos e podem ser extremamente infelizes.

No fundo, o que as pessoas buscam é o fim de seus sofrimentos. Para os mais pobres, o dinheiro representa o fim da batalha pela sobrevivência. Para os ricos, pode representar status. A realidade é que o dinheiro traz conforto, mas não é a chave para uma vida plena e feliz.

Infelizmente, a tendência do ser humano é atribuir a outras pessoas ou situações a causa de seus infortúnios. Um desempregado pode culpar o governo ou a crise econômica pela sua situação; e um filho pode culpar seus pais por não ter tudo o que deseja.

Muitas pessoas trabalhadoras e capazes se vêem, num momento da vida, num beco sem saída. E, por mais que busquem uma solução, as portas parecem se fechar para elas.

Há vários relatos de pessoas que viveram esse tipo de situação desesperadora e que encontraram no Budismo Nitiren o caminho para transformá-la. Ao compreenderem a causa de seus sofrimentos, elas aprenderam a rever seus conceitos e a encarar a vida de maneira realista.

Um dos primeiros conceitos aprendidos é o da lei de causa e efeito e o da inseparabilidade do ser e seu meio ambiente (esho funi). Segundo a lei de causa e efeito, o carma é formado por causas boas ou más, surtindo efeitos bons ou maus. As conseqüências dos atos de uma pessoa podem se manifestar tanto na vida presente como em existências futuras. Portanto, os infortúnios são efeitos de causas feitas pela própria pessoa. E o princípio de esho funi explica que o ser vivo e seu ambiente são dois fenômenos independentes, mas unos em sua existência fundamental. Ou seja, são dois aspectos integrantes de uma mesma entidade.

De acordo com o presidente da SGI, Daisaku Ikeda: "Cada vida é individual e, enquanto se manifesta neste mundo, a particular existência formada simultaneamente configura um meio ambiente com o qual seja compatível. Para ver a verdade disso basta olhar as circunvizinhanças de uma pessoa particular, pois - nesse meio - podemos distinguir claramente todas as inclinações e características da sua vida. Se tentarmos imaginar um ser humano sem meio ambiente, estaremos falando de nada, configurando-o miticamente.

"Na medida em que a vida estende sua influência à circunvizinhança, o meio ambiente automaticamente muda de acordo com a condição da vida. Então, o meio ambiente - que é um reflexo da vida interior dos seus habitantes - sempre adquire as características dos que nele existem."1

Essa idéia é compartilhada por Ortega y Gasset que afirmou: "Eu sou eu mesmo e minha circunstância, se não a salvo, não posso me salvar."2

Esses dois importantes princípios budistas ensinam que as pessoas devem buscar dentro de si a causa e a solução para seus problemas e que todos os aspectos da vida são, na realidade, reflexos da condição de vida interior de uma pessoa, de um grupo ou de uma nação.

Assumir a responsabilidade pelas próprias circunstâncias é um dos pontos essenciais na prática do Budismo Nitiren para conquistar uma vida feliz. O budismo também explica a importância da boa sorte na vida: "A boa sorte é um dos fatores integrantes de uma vida feliz e realizada. Sem ela não se pode efetivar muitos dos desejos e sentir-se feliz. Por exemplo, se nos faltar a sorte o nosso esforço para ganhar dinheiro resultará em fracasso, de uma maneira ou de outra. Em contraste, se nascemos dotados de boa sorte, podemos enriquecer a nossa vida tanto material como espiritualmente, mas perderemos tudo se agirmos contra o Verdadeiro Budismo."3



A transformação individual gera o bem-estar social

Quando a Segunda Guerra Mundial chegou ao fim, o Japão era um país completamente devastado. O segundo presidente da Soka Gakkai, Jossei Toda, que havia sido preso pelo governo militar por defender a liberdade religiosa e por opor-se à guerra, iniciou sua luta para reconstruir a organização.

Na época, as pessoas referiam-se à Soka Gakkai como um grupo de pobres e doentes. Mas Toda dizia que a Soka Gakkai não as fez pobres e doentes. Porém, dentro delas, elas se tornariam prósperas e sadias. E foi exatamente isso o que ocorreu.

Um desses casos é narrado na Nova Revolução Humana, de autoria de Daisaku Ikeda, e ocorreu na cidade de Fukuoka, onde surgiu uma grande favela conhecida como Dokan. Seus moradores viviam marginalizados pela sociedade e seu ambiente era corrompido por roubos, assassinatos, tráfico de drogas e bebidas.

Um dos moradores de Dokan era Hissayuki Imura que, aos 37 anos, tinha esposa e três filhos pequenos. Ele trabalhava como contador e tinha um futuro promissor. Porém, sofria de asma e nem sempre podia trabalhar. Devido a isso, a empresa teve de demiti-lo.

Sem ter onde morar, Imura pensou em se matar. Andando sem rumo, sua família foi parar na favela Dokan e lá ergueram um barraco. Imura começou a vender petiscos para sustentar a família. Mas, a crise de asma e as péssimas condições do local só agravavam sua saúde. Então, ele conheceu o budismo e por meio da prática da fé, recuperou totalmente sua saúde.

Em 1966, Imura deixou a favela Dokan e alugou uma casa, onde instalou um pequeno restaurante. Com sabedoria, ele foi administrando seu negócio e conseguiu adquirir a casa própria, podendo assim oferecer maior conforto à sua família. Ele dedicou-se ativamente para incentivar as pessoas na prática da fé e demonstrou seu valor como cidadão, engajando-se em campanhas sociais, tornando-se presidente de uma associação de bairro.



Sem esforço não há vitória

Jossei Toda passou por grandes dificuldades financeiras após a guerra. Contudo, ele não buscou caminhos mais fáceis ou tentou se esquivar de suas responsabilidades. Com coragem e discernimento, Toda comprovou a veracidade do Budismo Nitiren em todos os aspectos de sua vida.

Ele costumava citar esse trecho das escrituras de Nitiren Daishonin: "Se o céu clarear a terra se tornará clara. De maneira semelhante, se a pessoa se torna versada no Sutra de Lótus naturalmente compreende o significado das leis da sociedade."

Segundo Toda, esse trecho significa que aqueles que abraçam o Gohonzon devem ser capazes de melhorar sua vida ou fazer seus negócios prosperarem.

No romance Nova Revolução Humana, Shin-iti Yamamoto, pseudônimo de Daisaku Ikeda, destaca a importância da disposição de uma pessoa ao se lançar a um empreendimento: "Em se tratando de oração, existem pessoas que não se esforçam e ficam apenas esperando que a resposta de seu pedido caia do céu. Se uma religião permite essa conduta, estará então corrompendo o ser humano. No Budismo de Nitiren Daishonin a oração é originalmente um juramento e sua essência é o Kossen-rufu. Em outras palavras, significa orar resolutamente com a seguinte determinação: 'Eu vou realizar o Kossen-rufu do Brasil. Para isso, vou demonstrar brilhantes comprovações também em meu trabalho. Por favor, faça com que eu possa evidenciar o máximo de minhas forças.' Este deve ser o contexto básico de nossas orações. Com esta disposição, devemos estabelecer objetivos claros a serem realizados concretamente a cada dia, desafiando-os e orando pela concretização de cada um deles. É dessa seriedade e forte determinação que emergem a sabedoria e a criatividade, e é daí que se abre o caminho do sucesso. Portanto, a vitória na vida surge da interação entre 'decisão' e 'oração', 'esforço' e 'planejamento'. É um erro querer ganhar uma grande fortuna apenas sonhando ou ficando na expectativa do aparecimento de uma oportunidade de ganho fácil e lucrativo. Isso não é fé; apenas uma fantasia. O trabalho é a base que sustenta a vida diária. Se não obtiver vitória no trabalho, não é possível comprovar o princípio de que o 'budismo é a própria vida diária'. Por favor, abandone por completo a postura acomodada e empenhe-se mais uma vez no trabalho, canalizando todo o seu ser com renovada decisão."

Por mais difícil que seja a realidade de uma pessoa, se ela se manter firme em sua prática budista e esforçar-se para vencer a si mesma diariamente, com certeza evidenciará imensa boa sorte e será vitoriosa na vida. O Nam-myoho-rengue-kyo incorpora o nome e a vida de Nitiren Daishonin. Aquele que recita Daimoku consegue evidenciar o estado de vida do Buda em sua própria vida. Não existem budas que ficam sofrendo eternamente na pobreza. Também não existem budas cruéis ou malvados como não existem budas fracos ou derrotados na vida. Buda é um outro nome para uma pessoa que está determinada a vencer não importa o que aconteça. Daisaku Ikeda


Notas 1. Vida - Um Enigma, uma Jóia Preciosa, Editora Record, 1993, pág. 173. 2. Daisaku Ikeda, Proposta de Paz 2003, Editora Brasil Seikyo, pág 9. 3. Guia Prático do Budismo, Editora Brasil Seikyo, pág. 108. 4. Cf. Nova Revolução Humana, vol.6, págs. 100-102. 5. Nova Revolução Humana, "O Desbravador", vol.1, pág.195. 6. Brasil Seikyo, edição nº 1.222, 17 de abril de 1993, pág. 4. 7. The Daily Motivator, site: http//greatday.com/motivate/

Dominio da mente sobre o corpo

Domínio da mente sobre o corpo PDF Imprimir
Escrito por REVISTA TERCEIRA CIVILIZAÇÃO, EDIÇÃO Nº 444   
Domínio da mente sob o corpoO que é mente? O que é corpo?
Não há dúvidas de que a distinção entre ambos está clara e bem definida pelas suas especificidades:
Corpo ou matéria é tudo aquilo que se pode tocar ou sentir concretamente; o fenômeno físico; a pele, o sangue, cada nervo e articulação do ser humano; uma pedra, uma flor, um prédio.
Mente ou espírito é tudo aquilo que não se pode ver nem tocar, apenas é possível sentir espiritualmente; o fenômeno imaterial; a razão, os sentidos, a emoção, a vontade; a energia vital que pulsa no Universo.
No entanto, é inquestionável a relação entre esses dois fenômenos e a importância particular da mente na determinação de circunstâncias ou condições palpáveis. Aliás, cada vez mais, a própria ciência descobre as influências diretas da mente sobre o corpo.
No budismo, o princípio da unicidade do corpo e da mente (shiki shin funi, em japonês) explica que esses dois fenômenos, físico e espiritual, são unos e que sua inseparabilidade é a “verdadeira entidade de todos os fenômenos”. O corpo, ou o aspecto material (shiki), inclui tudo que pode ser discernido externamente ou visivelmente, como a cor, a forma e a textura. A mente, ou o espírito (shin), refere-se aos aspectos da vida, que são internos ou invisíveis, como as emoções, o desejo e a personalidade. A unicidade de ambos é indicada pela palavra funi que significa “dois, mas não dois” e “não dois, mas dois”. Apesar de parecer um enigma, esse princípio esclarece que embora seja possível observar o corpo e a mente separadamente, eles são unos em essência. Ambos surgem da mesma entidade fundamental: a vida. Compreender o shiki shin funi é desvendar a realidade fundamental da própria vida.
O Buda Original Nitiren Daishonin esclarece a esse respeito: "Uma pessoa pode compreender a mente de outra pela voz. Isto porque o aspecto físico revela o aspecto espiritual. Os aspectos físico e espiritual, que são unos em essência, manifestam-se como dois aspectos distintos." Todas as funções da vida são reveladas tanto física como espiritualmente.
Um outro princípio budista torna mais fácil a compreensão sobre essa relação entre corpo e mente ou matéria e espírito: os dez fatores. No Sutra de Lótus consta: “A essência real de todos os fenômenos somente pode ser compreendida e partilhada entre os budas. Essa realidade consiste de aparência, natureza, entidade, poder, influência, causa interna, relação, efeito latente, efeito manifesto e consistência do início ao fim.”
Esses dez fatores, expostos como a realidade de tudo, nada mais são do que as expressões do corpo ou da mente. Nitiren Daishonin declarou: “Aparência é corpo… Natureza é mente. Entidade é tanto corpo como mente.” Ou seja, aparência externa e natureza interna são fases intrínsecas da entidade da vida.
Assim, quando uma pessoa passa por algum sofrimento ou angústia profundos e não consegue superá-los, sendo dominada pela situação adversa, sua força vital se enfraquece e o próprio corpo mostra sinais de perda de vitalidade. Pequenas mudanças no estado mental ou emocional de uma pessoa, sejam positivas ou negativas, são exteriorizadas e refletidas na expressão facial, no funcionamento do corpo e nas atitudes. A unicidade da mente e do corpo é a própria expressão do último dos dez fatores: a consistência do início ao fim.
Por exemplo, o sono revigora o corpo, mas também cumpre um papel psicológico vital. Ler um livro, que inspire ou distraia a mente, também envolve o uso do corpo. Tanto o trabalho braçal como o mental exigem a interação entre ambos. Essa relação também é perfeitamente ilustrada pela síndrome de estresse da era moderna. O estresse pode ser causado por fatores físicos ou químicos, como o tumulto ou agitação do dia-a-dia, o calor, o frio; por fatores fisiológicos, como fome e exaustão; sem mencionar as tensões psicológicas e sociais, que inclui fatos como problemas de relacionamento humano, preocupações com a situação financeira, a doença ou a morte de um ente querido. Igualmente, os efeitos do estresse são tanto físicos como mentais, resultando em irritação, tensão, depressão, úlceras estomacais, pressão arterial alta, entre outros males. O estresse pode ser aliviado de várias formas: com pensamentos positivos, exercícios físicos como caminhadas e natação. Hoje, torna-se não só desejável, mas vital que em todos os campos de empreendimento seja dada igual importância ao corpo e à mente.
Segundo Martin Seligman, professor de Psicologia da Universidade da Pensilvânia, pessoas que só pensam em si mesmas e que consideram apenas seus interesses, são presas fáceis do pessimismo. A morte de um ente querido, o divórcio e o fracasso nos negócios são algumas das causas mais sérias de estresse e fadiga. Quanto mais idosa a pessoa for, mais devastadores são os efeitos. Essa pessoa se sente terrivelmente sozinha em meio à mais completa escuridão do sofrimento e da dor. Nessas condições, ela se sente oprimida por uma sensação de isolamento e angústia, o que é natural, pois são seres humanos. Justamente por essa razão, diz o Dr. Seligman, é essencial que as pessoas observem as profundezas de seu coração e que sejam os hábeis pintores e artistas que se dispõem a retocar seu modo de pensar com maravilhosas cores de esperança. Enquanto permanecerem preocupadas com seus próprios problemas e cegas de obcessão pelos caprichos ditados pela própria mente, continuarão a sofrer. Devem se tornar senhoras de sua mente, não permitindo que ela as domine, redirecionando-a conscientemente para a alegria e o otimismo e para ajudar outras pessoas a fazerem o mesmo.
“Uma pessoa deve tornar-se senhora de sua mente em vez de permitir que ela a domine.” Esta sábia frase de Nitiren Daishonin expõe a chave para uma vida saudável e valorosa em todos os aspectos. Dominar a mente possibilita à pessoa revelar um ilimitado potencial. As barreiras ou situações adversas que parecem intransponíveis a ela são, na verdade, limitações impostas pela sua própria mente ou espírito. Uma vez vencida esta batalha interior, qualquer dificuldade pode ser enfrentada corajosamente.
O grande filósofo e escritor Leon Tolstoi argumentou: “Creio que os seres humanos possuem capacidades ilimitadas, não apenas espirituais como também físicas. Mas, ao mesmo tempo, possuímos um freio temeroso que impede essas ilimitadas capacidades.” E qual seria, então, esse freio que atrapalha suas forças? Tolstoi acreditava que eram as noções preconcebidas que se tem sobre si mesmo, os limites que se impõem, ou as suposições a respeito da impotência dos seres humanos.

A transformação cármica

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Escrito por Revista Terceira Civilização 408   
A transformação cármica
O conceito de carma é certamente um dos pilares fundamentais de toda a doutrina budista. É tão importante para a compreensão de certos aspectos filosóficos que seu uso já extrapolou os próprios budistas, sendo normalmente empregado por não-budistas e até mesmo não-religiosos.

A idéia de carma (do sânscrito karma ou karmam, significando “ação”), ou de que tudo é regido por causas e efeitos, bem como a concepção de que a vida passa pelo infinito ciclo de nascimento e morte, na verdade são anteriores ao surgimento do budismo, fazendo parte de diversas filosofias originárias da Índia e região. Entretanto, a partir do advento do budismo, esses conceitos foram reinterpretados, fornecendo então uma nova visão de vida às pessoas.
 
Em sua acepção mais simples, o conceito de causa e efeito encontra similaridade em diversas áreas da cultura e do conhecimento humano, da física à biologia, da matemática às ciências humanas. Mesmo em relação a outras correntes religiosas, existe o consenso de que atitudes positivas ou negativas geram efeitos do mesmo quilate. Entretanto, a visão budista de causa e efeito tem como principal diferencial o fato de que o resultado dessas atitudes não será determinado pelo julgamento de uma entidade externa e superior, mas sim em decorrência de um processo natural à própria vida e ao Universo.

A doutrina budista afirma que, basicamente, as causas podem ser formadas por meio de pensamentos, palavras e ações. Essas causas permanecem então “depositadas” na vida do indivíduo, e esse repositório constitui-se assim no carma de determinada pessoa.

O Budismo Mahayana considera que as ações cármicas ficam depositadas na oitava de um total de nove consciências, ou seja, na consciência alaya (“repositório” ou “depósito”, em sânscrito).

As primeiras cinco consciências correspondem à percepção de cada um dos cinco sentidos: visão, audição, olfato, paladar e tato.

A sexta consciência refere-se ao instinto, ou seja, o poder de integrar os cinco sentidos e reagir de acordo.

A sétima consciência, denominada mano ou manas, corresponde à capacidade exclusiva dos seres humanos de pensar e fazer julgamentos com base na razão.

E é na oitava consciência, alaya, que o resultado das experiências vividas é “arquivado” e que novas ações mentais são produzidas. Portanto, existência após existência, essa consciência carrega o resultado das causas efetuadas ao longo da vida e dá origem a outras. Esse carma não diminui nem desaparece por si só, e o seu efeito manifesta-se conforme a presença de estímulos apropriados.

A nona consciência, denominada amala (“imaculada”, em sânscrito), corresponde ao nível mais profundo da vida humana, livre da influência de qualquer causa realizada. Trata-se do “eu” essencial representado pelo estado de Buda. A partir de sua influência, criam-se as reais condições para transformar positivamente qualquer espécie de carma. Essa idéia também é expressa pela analogia com a flor de lótus, cujo desabrochar puro permanece imaculado em meio às impurezas do pântano lamacento e que deu origem ao mais importante tratado budista a respeito, o Sutra de Lótus.

“A flor de mahamandara no céu e a flor de cerejeira no mundo humano são notórias, mas o Buda não escolheu nenhuma delas para ser equiparada ao Sutra de Lótus. De todas as flores, ele selecionou a flor de lótus para simbolizar o Sutra de Lótus. Há uma razão para isso. Algumas plantas primeiro florescem e depois produzem frutos, ao passo que em outras os frutos aparecem antes das flores. Algumas geram somente uma flor, mas muitos frutos, outras dão frutos sem florirem. Desse modo, há várias espécies de plantas, mas o lótus é o único que produz flores e frutos simultaneamente. O benefício de todos os outros sutras são incertos, pois ensinam que a pessoa deve primeiro fazer boas causas e, só então, poderá tornar-se um buda em algum tempo a seguir. O Sutra de Lótus é completamente diferente. Uma mão que o segura imediatamente atinge a iluminação, e uma boca que o recita instantaneamente entra no estado de Buda, assim como a Lua é refletida na água no momento em que se eleva por detrás das montanhas do leste, ou como o som e seu eco surgem concomitantemente. É por isso que o sutra afirma: ‘Entre aqueles que ouvem esta Lei, não existe ninguém que não atingirá o estado de Buda’. Essa passagem indica que se houver cem ou mil pessoas que abracem este sutra, sem uma única exceção, todas as cem ou mil delas tornar-se-ão budas.” (“Wu-lung e I-lung”, As Escrituras de Nitiren Daishonin [END], vol. 4, pág. 295.)

Nitiren Daishonin relacionou o conceito da lei de causa e efeito ao termo myoho (lei mística) e incorporou-o a um mandala, o Gohonzon. No centro desse objeto de devoção, encontram-se as palavras Nam-myoho-rengue-kyo Nitiren, as quais possuem em comum a utilização do caractere ren, que significa “lótus”. Tal fato não só enfatiza a supremacia do Sutra de Lótus em relação aos demais ensinos de Sakyamuni, como também remete a um dos principais conceitos do sistema filosófico budista referente à lei de causa e efeito, cuja simultaneidade é simbolizada pela germinação das flores e dos frutos do lótus.

A Lei Mística (myoho) corresponde à realidade fundamental de todos os fenômenos que transcende as três existências da vida — passado, presente e futuro. A lei de causa e efeito (rengue) é a maneira pela qual essa verdade manifesta-se em nossa realidade. Assim sendo, a compreensão da natureza da lei da causalidade e seus desdobramentos é a chave para a transformação fundamental da vida.

Diferentemente da conotação que a palavra “lei” adquire em outros campos da sociedade, no contexto dos ensinos budistas ela equivale ao termo sânscrito dharma, indicativo tanto dos ensinos do Buda como da verdade para a qual ele despertou em relação à natureza do Universo. Desse fato extrai-se a importante constatação de que essa “lei” não foi criada por outras pessoas (leis sociais) nem por um ente superior (leis divinas), cabendo a cada indivíduo desenvolver a percepção necessária da realidade dos fenômenos a fim de direcionar-se para a felicidade. Essa percepção é exercitada por meio da prática budista, que visa à manifestação dessa lei no plano individual e interior da vida como base também para a reforma do ambiente externo.
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Previsao:

A transformação cármica
Qua, 16 de setembro de 2009