| Budista acredita em Deus? |
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| Escrito por Jornal BRASIL SEIKYO, EDIÇÃO Nº 1605 | |
Geralmente,
tudo que é diferente ao que as pessoas estão acostumadas é, a
princípio, rejeitado ou visto com negatividade. O presidente Makiguti
dizia: “Não julgue o desconhecido.” É isso o que acontece com o budismo.
Devido o Brasil ter sua cultura arraigada na tradição cristã, o
budismo, desconhecido pela maioria, é visto com reservas e muitas
pessoas pensam que, por não falar em Deus, conforme a concepção que têm,
não é uma religião correta, muito menos deve ser seguida.
Outro
fator que ajuda a complicar é que, por existir muitas ramificações do
budismo, os não-budistas acreditam que todos os tipos de budismo são
iguais. Normalmente, os meios de comunicação fazem essa confusão, como
aconteceu recentemente com uma revista de circulação nacional.
(continua...)
Algumas vezes, quando iniciamos um Chakubuku, de
início somos questionados da seguinte forma: “Vocês acreditam em Deus?”
Muitos de nós já viveram essa experiência, e por mais que tentemos
explicar, a maioria das pessoas diz: “Mas eu não quero deixar o meu
Deus!” Por isso, hoje, abordaremos esse ponto.
Inicialmente,
é bom esclarecermos que Buda não é Deus. A palavra “buda” significa “o
iluminado”. Ou seja, um Buda é aquele que se iluminou para a verdade da
vida. “Ismo”, de budismo, é um sufixo que significa “doutrina, escola,
teoria ou princípio artístico, filosófico, político ou religioso.”
Cristianismo refere-se aos ensinos de Cristo e budismo, aos ensinos de
Buda.
Segundo Bryan Wilson, uma das maiores
autoridades em religião do Ocidente, o sentimento religioso surge para
explicar o inexplicável — os fenômenos da natureza, que para as pessoas
não têm uma explicação racional.
Assim, para o
cristão, o “inexplicável”, ou os fenômenos do universo, é atribuído a
Deus, que vive no céu e dita as regras da Terra. Ele criou todo o
universo, o homem, o sol, a lua, as estrelas, as plantas, os animais
etc. e possui imensa benevolência e compaixão pela humanidade. No
entanto, as pessoas colocam Deus em dois extremos: por um lado Ele
possui um amor incondicional para com as pessoas, por outro é um severo
punidor e o sofrimento das pessoas é desígnio de Deus. Tanto é que todos
conhecem as famosas frases: “Deus quis assim!”; “Esse é o destino que
Deus me deu!” entre outros.
Nos ensinamentos
budistas, os fenômenos são atribuídos a uma Lei que rege o universo.
Essa Lei é denominada Nam-myoho-rengue-kyo.
Vamos
abrir um parênteses aqui para explicar que Gohonzon também não é Deus. O
Gohonzon é nosso objeto de devoção, diante do qual conseguimos
concentrar nosso pensamento nessa Lei universal e fazer com que ela se
manifeste profundamente em nossa vida.
Muitas
vezes, por termos sido criados numa sociedade cristã em que aprendemos a
atribuir tudo a Deus, acabamos nos expressando da seguinte forma: “Se o
Gohonzon quiser!”, “Graças ao Gohonzon!”, “Vá com o Gohonzon!” e “Jogue
nas mãos do Gohonzon”. Para nós, budistas, o ser humano possui um
grande potencial por si só, pois ele faz parte do universo. Todas as
suas conquistas estão arraigadas em sua determinação, esforço e
sabedoria associados à fé na Lei Mística. Não existe alguém determinando
sua condição de vida de felicidade ou sofrimento.
Segundo
os ensinamentos budistas, tudo na vida é regido pela lei de causa e
efeito existente no universo. Os sofrimentos e a felicidade existem na
vida de cada pessoa e se manifestarão de acordo com a força positiva ou
negativa que cada um carrega. Se a força negativa for mais poderosa —
força essa criada pelas causas negativas acumuladas — a pessoa sofre. Do
contrário, se a positiva for mais forte — gerada pelas causas positivas
feitas pela própria pessoa —, ela é feliz. A Lei que rege o universo
não é punitiva. Ela é justa, rigorosa e benevolente, pois cada pessoa
colhe o que plantou.
O importante em cada religião
é o respeito mútuo. Desconsiderar a existência de Deus para um cristão
por sermos budistas é desrespeitar a pessoa e sua fé.
Na
Nova Revolução Humana, o presidente Ikeda escreveu: “Para criar uma era
de paz é necessário e imprescindível o diálogo entre os religiosos... É
preciso iniciar o diálogo entre budistas e cristãos, budistas e judeus,
budistas e islamitas. Mesmo que as convicções religiosas sejam
diferentes, creio que todos acalentam o ideal comum de paz e felicidade
da humanidade... Eu penso que as religiões, em vez de guerrearem entre
si, deveriam disputar a corrida para o bem... uma disputa entre as
religiões no contexto do que estão fazendo para o bem da paz, para o bem
da humanidade. É uma corrida humanitária... que conduz tanto a si como
os outros para a felicidade. Isto pode ser disputado de várias formas.
Por exemplo, na criação de excelentes valores humanos que contribuam
para a paz do mundo ou na promoção de movimentos que proporcionem
coragem e esperança para as pessoas.” (Vol. 5, págs. 87–88.)
Com
base nesses pontos, vamos estudar o budismo para que possamos defender
nossa fé convictamente, sem, no entanto, desrespeitar a fé dos outros.
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Geralmente,
tudo que é diferente ao que as pessoas estão acostumadas é, a
princípio, rejeitado ou visto com negatividade. O presidente Makiguti
dizia: “Não julgue o desconhecido.” É isso o que acontece com o budismo.
Devido o Brasil ter sua cultura arraigada na tradição cristã, o
budismo, desconhecido pela maioria, é visto com reservas e muitas
pessoas pensam que, por não falar em Deus, conforme a concepção que têm,
não é uma religião correta, muito menos deve ser seguida.
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