| Budismo e Cristianismo, semelhanças e diferenças | |
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| Escrito por Luiz Vieira Marques, fonte: Revista Terceira Civilização | |
O
propósito deste estudo é ampliar o conhecimento dos leitores sobre as
semelhanças e dessemelhanças entre estes dois caminhos de
espiritualidade: budismo e cristianismo, possibilitando alargar as
possibilidades de diálogo e entendimento.
Pretende-se
também, sem maiores pretensões, contribuir para o grande debate sobre o
que é bom para o homem, não só de forma pragmática ou positivista, mas
fundamentalmente; não só de maneira filosófica ou abstrata, mas
existencial e concreta; não só de forma psicopedagógica, mas num sentido
incondicionalmente obrigatório e universal.
Neste sentido, a religião não deve ser analisada a
partir do critério de verdade que afasta, que separa, que divide. A
religião, no contexto atual, deve ser pensada a partir do critério ético
geral do humano. Daí não podermos prescindir dos resultados da
Psicologia, da Pedagogia, da Filosofia, da Sociologia e da Ciência
Jurídica.
As diferenças são profundas
Do
ponto de vista religioso, budismo e cristianismo são, inegavelmente,
duas tradições mundiais, completamente diferentes. É impossível alguém
ser cristão e, ao mesmo tempo, budista, ou vice-versa. Seria misturar
fogo com água. São caminhos de espiritualidade radicalmente diferentes,
principalmente quando se tem em mente os paradigmas vigentes do
cristianismo.
Na sua essência, o cristianismo,
juntamente com o judaísmo e o islamismo, são classificados como
religiões reveladas: em que Deus fala aos homens. Uma religião revelada é
caracterizada pela livre comunicação salvadora que Deus faz de si mesmo
ao homem pecador, em Cristo, pela comunicação pessoal e, ao mesmo
tempo, comunitária (Igreja).
Já o budismo
situa-se no grupo das religiões classificadas como salvíficas. São
aquelas religiões portadoras dos meios de que o homem precisa para
salvar-se dos sofrimentos presentes e conseguir a felicidade. Neste
grupo encontram-se, além do budismo, o confucionismo, o taoísmo, o
hinduísmo. Estas religiões, como o fizeram Zaratustra, alguns filósofos
gregos e profetas judeus, que, espiritualizando e aprofundando o
pensamento, abriram caminho a uma religiosidade, ao mesmo tempo pessoal e
universal.
Seguindo a trilha da pesquisa junguiana
O
cristianismo, fiel à tradição do pensamento religioso ocidental,
considera o homem inteiramente dependente da graça de Deus ou da Igreja,
na sua qualidade de instrumento terreno exclusivo da obra da redenção
sancionado por Deus.
O homem é infinitamente
pequeno, um quase nada, enquanto a graça de Deus é tudo. E esta graça
vem de fora. Provém de uma outra fonte: Deus.
“O homem está sempre em falta diante de Deus”, como dizia Kierkegaard.
No
cristianismo, o homem procura conciliar os favores de Deus mediante o
temor, a penitência, as promessas, a submissão, a auto-humilhação, as
boas obras e os louvores.
Deus é um totaliter alter, o totalmente outro, absolutamente perfeito e exterior, a única realidade existente.
“Se
modificarmos um pouco a fórmula e em lugar de Deus colocarmos outra
grandeza, como, por exemplo, o mundo, o dinheiro, teremos o quadro
completo do homem ocidental zeloso, temente a Deus, piedoso, humilde,
empreendedor, cobiçoso, ávido de acumular apaixonada e rapidamente toda a
espécie de bens deste mundo tais como riqueza, saúde, conhecimentos,
domínio técnico, prosperidade pública, bem-estar, poder político,
conquistas etc. Quais são os grandes movimentos propulsores de nossa
época? Justamente as tentativas de nos apoderarmos do dinheiro ou dos
bens dos outros e de defendermos o que é nosso. A inteligência se ocupa
principalmente em inventar ’ismos’ adequados para ocultar seus
verdadeiros motivos ou para conquistar o maior número possível de
presas.”
O budismo, seguindo a tradição oriental,
sublinha o fato de que o homem é a única causa eficiente de sua própria
evolução superior. Ao contrário do cristianismo, acredita na
“auto-redenção”, ou seja, o homem é Buda e se salva por si próprio.
O
budismo se baseia na realidade psíquica enquanto condição única e
fundamental da existência. A psique é o elemento mais importante, é o
sopro que tudo penetra, ou seja, a natureza de Buda; é o espírito de
Buda, o Uno, o Dharma-kaya. Toda vida jorra da psique e todas as suas
diferentes formas de manifestação se reduzem a ela. É a condição
psicológica prévia e fundamental que impregna o homem em todas as fases
de seu ser, determinando todos os seus pensamentos, ações e sentimentos.
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O
propósito deste estudo é ampliar o conhecimento dos leitores sobre as
semelhanças e dessemelhanças entre estes dois caminhos de
espiritualidade: budismo e cristianismo, possibilitando alargar as
possibilidades de diálogo e entendimento.
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