| Bom amigo e mau amigo |
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| Escrito por REVISTA TERCEIRA CIVILIZAÇÃO, EDIÇÃO Nº 40 | |
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O
objetivo da prática budista é atingir o estado de Buda
(iluminação). Bons amigos e maus amigos são conhecidos respectivamente
por (zentishiki e akutishiki).
No
budismo, uma pessoa que ajuda outra a atingir esse objetivo,
ensinando-lhe sobre a prática ou encorajando-a na fé, é chamada de “bom
amigo” ou “boa influência” (zentishiki, em japonês). Ao contrário, uma
pessoa que impede e desencoraja outra em sua busca da iluminação é
chamada de “mau amigo” ou “má influência” (akutishiki).
Em
suas escrituras, Nitiren Daishonin aplica o termo “bom amigo” de várias
maneiras. Em alguns casos ele o usa impessoalmente referindo-se ao
Sutra de Lótus ou à Lei Mística. Em outros, ele o emprega com o
significado de Buda, que tornou o caminho da iluminação acessível a
todos. Porém, o termo é mais comumente utilizado para indicar uma pessoa
que encoraja uma outra ao longo da prática da fé.
No
27º capítulo do Sutra de Lótus, Myoshogonno (Os feitos anteriores do
Rei Adorno Maravilhoso), consta: “Um bom amigo é uma grande causa e
circunstância. Em outras palavras, é aquele que ensina e guia outros,
capacitando-os a adquirir a sabedoria do Buda e despertando-os para a
iluminação.” Na escritura “Três mestres tripitaka oram por chuva”,
Daishonin afirma: “Quando se transplanta uma árvore, mesmo que soprem
ventos violentos, ela não tombará se tiver uma firme estaca para
mantê-la em pé. Porém, mesmo uma árvore que cresceu em um lugar adequado
pode cair se suas raízes forem fracas. Uma pessoa fraca não sucumbirá
se aqueles que a apóiam forem fortes, mas uma pessoa de considerável
força, quando só, poderá tropeçar num terreno irregular. (...)
“Portanto,
o melhor modo de atingir o estado de Buda é encontrar um zentishiki, ou
um bom amigo. Até onde a sabedoria de uma pessoa pode levá-la? Se essa
pessoa possui sabedoria suficiente pelo menos para distinguir o quente
do frio, deve procurar um bom amigo.
“Contudo,
encontrar um bom amigo é algo muito difícil. Assim, o Buda comparou
esse feito à raridade de uma tartaruga de um olho só achar um tronco de
sândalo flutuante com uma cavidade com tamanho certo para comportá-la,
ou à dificuldade de puxar uma linha do Céu Brahma e passá-la pelo
orifício de uma agulha na Terra. Além do mais, nestes maléficos Últimos
Dias, os maus companheiros são mais numerosos do que partículas de pó
que compõem a terra, ao passo que a quantidade de bons amigos é menor do
que a de grãos de poeira que se consegue amontoar sobre a unha de um
dos dedos da mão.” (As Escrituras de Nitiren Daishonin [END], vol. 6,
pág. 167.)
É
uma grande alegria criar laços de amizade com pessoas que nos conduzem à
correta prática da fé, incentivando-nos quando estamos desanimados,
apontando nossas falhas quando necessário, compartilhando suas
experiências e possibilitando-nos enxergar os fatos com uma visão mais
ampla. Um dos propósitos de nossa organização é ajudar as pessoas a
seguir o correto caminho da prática budista.
Por
outro lado, um “mau amigo” é aquele que, intencionalmente ou não,
dificulta ou então impede a nossa prática. Nitiren Daishonin usou
freqüentemente o termo para referir-se aos mestres budistas que,
deliberadamente ou por ignorância, distorciam os ensinos budistas e
desencaminhavam as pessoas. Um mau amigo também pode ser alguém que
concorda conosco mesmo quando estamos errados e não nos alerta.
Contudo,
fundamentalmente, somos nós que determinamos se uma pessoa é um bom ou
um mau amigo, isto é, se ela encoraja ou impede nossa fé. Tomemos como
exemplo uma pessoa que nos critica e que faz de tudo para impedir nossa
prática budista. Se nos sentirmos desencorajados a ponto de abandonarmos
a prática, foi porque permitimos que ela agisse como um mau amigo. Mas
se apesar de irados, magoados e entristecidos transformarmos esses
sentimentos em um ímpeto para aprofundarmos ainda mais nossa fé no
Gohonzon, foi porque enxergamos nessa pessoa um bom amigo.
O
próprio Nitiren Daishonin demonstrou que isso é uma grande verdade. Ele
disse: “Os melhores agentes positivos que ajudaram Nitiren a atingir a
iluminação foram Tojo Kaguenobu, os bonzos Ryokan, Doryu e Doamidabutsu,
Hei no Saemon e Hojo Tokimune. Sem eles, Nitiren não poderia ser o
devoto do Sutra de Lótus.” (END, vol. 1, pág. 171.) O ideal seria
considerarmos tudo que nos ocorre, os acontecimentos bons e maus, como
um motivo para aprofundarmos a fé, tornando todas as pessoas que se
relacionam conosco nossos bons amigos e, o mais importante, procurarmos
ser bons amigos para aqueles que nos rodeiam.
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