| Prazer e sexo no budismo | |
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| Escrito por REVISTA TERCEIRA CIVILIZAÇÃO, EDIÇÃO Nº 426, | |
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O
prazer, físico e espiritual, é uma das sensações mais perseguidas pelo
ser humano. Quem não gosta de sentir satisfação pela auto-realização,
por uma conquista amorosa ou então sentir o deleite proporcionado pela
diversão? Não há mal nenhum em ter essas sensações, elas podem servir de
motivação para as pessoas prosseguirem em sua jornada da vida, elevando
sua auto-estima. No entanto, por proporcionar essa sensação
extremamente agradável, o “vento do prazer” é capaz de desviar as
pessoas facilmente de seu curso, tirando-as do chão da realidade e
erguendo-as “às nuvens”.
Influenciadas
por muitos valores impostos pela sociedade consumista, as pessoas
vestem roupas, fumam cigarros e bebem cerveja de determinadas marcas em
troca do prazer ilusório que eles oferecem. A competição fomentada por
essa sociedade também leva muitas pessoas ao extremo de sentirem prazer
pela desgraça alheia. O culto ao corpo, à beleza estética e ao prazer
pelo sexo são outras fortes influências exercidas pela sociedade.
Nesse
sentido, se a pessoa não despertar para a transitoriedade do “vento do
prazer”, quando a sensação de satisfação acaba, tende a se sentir
totalmente vazia e sem um propósito de viver.
No
Budismo Nitiren há o princípio chamado “desejos mundanos são
iluminação”, segundo o qual o desejo e, conseqüentemente o prazer
vinculado a este, não precisam ser extintos para se atingir o estado de
Buda. Para tanto, é necessário que esse desejo seja direcionado
positivamente, para a construção e consecução de um bem maior, como por
exemplo, a felicidade da humanidade e a paz mundial.
Uma vida acima de onde sopram os “oito ventos”
Como estabelecer uma condição de vida capaz de resistir a determinadas circunstâncias externas, aos chamados “oito ventos”?
Os
“oito ventos” são um importante conceito do Budismo de Nitiren
Daishonin. São oito condições que impedem as pessoas de avançarem ao
longo do caminho da iluminação. Esses oito ventos estão em constante
movimento e se dividem em duas categorias: os quatro ventos favoráveis
(prosperidade, honra, elogio e prazer) e os quatro desfavoráveis
(declínio, desgraça, censura e sofrimento).
As
pessoas são facilmente influenciadas pela ação desses ventos neste
mundo instável em que vivem. Por essa razão, Nitiren Daishonin
recomenda: “Um homem verdadeiramente sábio não será arrebatado por
nenhum dos oito ventos: prosperidade, declínio, desgraça, honra, elogio,
censura, sofrimento e prazer. Ele não se inflama com a prosperidade nem
se desespera com o declínio.” (As Escrituras de Nitiren Daishonin, vol.
3, págs. 201–202). Portanto, compreender esse conceito é fundamental
para que as pessoas possam viver da forma mais plena e digna como seres
humanos.
O
próprio Nitiren Daishonin mostrou por meio de suas ações que é possível
atingir essa condição de vida inabalável, que está muito acima de onde
sopram os “oito ventos”.
Leia também: O amor aguarda você ser feliz
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