| Evolução e Revolução |
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| Escrito por Revista Terceira Civilização 414 | |
![]() A expectativa da humanidade recai sobre meios alternativos e pacíficos que proporcionem resultados mais duradouros e que, sobretudo, estejam direcionados para a harmonia dos relacionamentos humanos nos seus diversos níveis. Desde que surgiram os seres vivos passam por um processo evolucionário ininterrupto. Considera-se que o ser humano seja a espécie mais evoluída a habitar este planeta. A mesma natureza que o “moldou” na forma como é atualmente sofre alterações pelas mãos do homem tanto no plano ambiental quanto em outras áreas como a engenharia genética e a clonagem.
O homem é uma espécie que parece jamais estar
satisfeita com a própria condição, sempre procurando melhores
circunstâncias de vida ou simplesmente novas experiências. Esse anseio
por mudanças pode se manifestar de forma sutil e gradativa, como também
revelar-se de maneira abrupta e radical.
Quando
as pessoas ouvem falar de mudanças radicais, logo as associam à palavra
“revolução”, termo que, num primeiro momento, pode suscitar a idéia de
revolta, rebelião ou transformação violenta. Na história recente, as
pessoas também acostumaram-se a ouvir falar sobre revolução política,
econômica, social, industrial, cultural, artística, sexual, tecnológica e
dos costumes. Em todos esses exemplos, verifica-se um processo de
transformação profunda em relação a um modelo anterior. Chega-se a um
limite dentro de determinado padrão, o que gera uma tensão e a
conseqüente adoção de um novo padrão, muitas vezes totalmente diferente
do anterior. Tais processos normalmente geram desde discussões
acaloradas até disputas ou mesmo guerras.
Estudando
fatos históricos ou informando-se pelos meios de comunicação, toma-se
conhecimento de incontáveis revoluções em todo o mundo e em diferentes
épocas, quase sempre como forma de combate a regimes autoritários. Pode
haver também derramamento de sangue e muitos participantes acabam
tornando-se mártires. Indo contra essa tendência, Mahatma Gandhi foi um
dos líderes da humanidade que soube conduzir a independência de seu povo
sem apelar aos confrontos armados. Por meio da cultura da
não-violência, liderou não somente uma revolução política e social
pacífica, como também mostrou ser possível realizar transformações
profundas na sociedade por meio do apelo ao humanismo e à dignidade da
vida. Da mesma forma, outras pessoas como Martin Luther King Jr., Rosa
Parks, Nelson Mandela e Mikhail Gorbachev deram exemplos importantes de
como atuar para combater a opressão, a discriminação e as diferenças
sociais sem recorrer à violência.
Apesar das
incontáveis revoluções pelas quais o mundo passou, podemos verificar que
ainda existe muito a ser concretizado em relação a questões como
direitos humanos, pobreza, disparidades sociais e democracia. Sem
dúvida, muitos desses movimentos contribuíram e, em alguns casos, foram
decisivos para o esforço de construir sociedades melhores e mais justas,
mas a expectativa da humanidade recai sobre meios alternativos e
pacíficos que proporcionem resultados mais duradouros e que, sobretudo,
estejam direcionados para a harmonia dos relacionamentos humanos nos
seus diversos níveis.
Em sua proposta de paz “O
Humanismo do Caminho do Meio — O Alvorecer de uma Civilização Global”,
enviada à Organização das Nações Unidas (ONU) em janeiro de 2002, o
presidente Ikeda afirma: “Em seu livro Soka Kyoikugaku Taikei (Sistema
Pedagógico de Criação de Valores), o fundador da Soka Gakkai,
Tsunessaburo Makiguti, defende umatransformação fundamental no modo como
as pessoas vivem.
Com sua censura a um modo de
vida passivo e dependente e de sua declaração de que até mesmo um modo
de vida ativo e independente era insuficiente, Makiguti defendia um modo
de existência conscientemente interativo e interdependente. Este modo
de vida se fundamenta no que hoje poderíamos chamar de capacitação, em
particular a capacitação de outros, transmitindo-lhes confiança e
oferecendo o dom da esperança e da coragem. Esta é uma forma de vida
solidária e de criação de valor, dedicada a concretizar a felicidade
própria e a de outros. Esta forma de vida, quando enraizada em
incontáveis indivíduos, tem o poder de transformar comunidades e de
realmente mudar o mundo, movendo a corrente da história para uma direção
verdadeiramente criadora e pacífica.” (Terceira Civilização, edição no
405, maio de 2002, encarte especial, pág. 31.)
Naturalmente
uma transformação dessa envergadura não se consegue de uma hora para
outra e muito menos sem um grande esforço. Por outro lado, refletindo
profundamente sobre esse ponto, chega-se à conclusão de que é a forma
mais eficaz e permanente de promover a harmonização dos interesses e
características das pessoas, seja no ambiente familiar, comunitário seja
no mundial.
A raça humana enfrenta desafios
altamente complexos que põem em xeque sua própria sobrevivência e o
futuro das próximas gerações.
Entretanto, o
maior, mais difícil e mais importante de todos é o desafio de cada
pessoa de vencer as próprias fraquezas e limitações. Embora a princípio
possa parecer insignificante em relação à ampla problemática que envolve
o mundo, tudo parte do indivíduo e a ele retorna, como veremos no
desenrolar desta matéria.
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