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segunda-feira, 23 de julho de 2012

Otimismo - um habilidade que pode ser desenvolvida

Otimismo - uma habilidade que pode ser desenvolvida PDF Imprimir E-mail
Escrito por REVISTA TERCEIRA CIVILIZAÇÃO, EDIÇÃO Nº 425   
OtimismoSegundo o budismo, o mundo no qual vivemos, repleto de dificuldades e sofrimentos, é denominado saha. A crise econômica, a falta de emprego, a violência, a desarmonia familiar, entre outros problemas que a época atual enfrenta, refletem a rigorosidade deste conceito.
De acordo com os ensinos de Sakyamuni, enquanto vivermos sempre experimentaremos dificuldades, tais como a morte de um ente querido, decepções amorosas, frustração por não obter aquilo que desejamos etc.
Tudo isso compreende o ciclo de nascimento, velhice, doença e morte. Despertar para esta verdade constituiu a iluminação do Buda, ou seja, perceber que não adianta fugir das dificuldades, pois estas fazem parte da vida. No entanto, a forma como passamos por elas determina nossa felicidade ou infelicidade.
Com que disposição encaramos as dificuldades?
O fator principal é a nossa disposição, ou seja, como enxergamos os problemas que estão a nossa frente. Uma senhora que havia descoberto a causa de sua doença aos 40 anos de idade, após ter sofrido tantos anos sem tratamento, lamentou-se diante de seu médico por todos os anos perdidos em lágrimas e frustrações. Sabiamente o médico lhe disse: “Imagine que a senhora esteja andando por um deserto e de repente avista meio copo de água. A senhora pode pensar: ‘Puxa! Só isso de água?’, ou pode pensar de uma outra forma: ‘Que bom, ainda tem um pouco de água!’ A sua escolha decidirá o curso de seu tratamento.”
O intuito do médico era o de mostrar à paciente que a disposição que manifestamos diante do infortúnio é o que gerará a força para a transformação da condição da doença. Em uma de suas orientações o presidente Ikeda diz: “Quero que vocês compreendam as atividades sutis da mente. A maneira como orientam sua mente, o tipo de atitude que tomam, tudo isso influencia grandemente tanto vocês próprios como o seu ambiente. O princípio dos três mil mundos num único momento da vida elucida completamente o verdadeiro aspecto das atividades interiores da vida.” 1
Obstáculos: um salto para o fundo do poço ou um trampolim para o nosso desenvolvimento?
Há alguns anos, participando de uma reunião da Divisão do Jovens, um veterano disse: “Os obstáculos sempre surgirão, no entanto, podemos nos deixar abater por eles, sendo arrastados para o fundo do poço ou podemos fazer deles um grande impulso para o nosso desenvolvimento. Tudo depende da nossa convicção.”
Não há quem esteja livre das preocupações ou dificuldades da vida diária. No entanto, o que podemos aprender com estas circunstâncias? Com sabedoria é possível tirar proveito dos problemas, direcionando-os de forma positiva em nossa vida. Sobre este ponto o presidente Ikeda diz: “Uma vida de sonhos do tipo ‘Se eu não tivesse esse problema...’ é uma vida de fracasso. Pelo contrário, aquele que empenha esforços construtivos continuamente, considerando tudo do ponto de vista de ‘O que posso fazer para superar essas circunstâncias e transformá-las numa fonte de valor e vitória?’ é um vencedor.” 2
Otimismo: uma habilidade que pode ser desenvolvida.
As pessoas que conseguem manter o otimismo diante dos infortúnios do mundo saha estão sempre alegres, cheias de vigor e esperança.
Estudos na área médica vêm enfatizando a importância da fé e da disposição que o paciente apresenta diante da enfermidade como fundamentais para o bom restabelecimento da saúde.
O Dr. Seligman, presidente da Associação de Psicólogos dos Estados Unidos, num diálogo realizado com o presidente Ikeda, falou sobre a importância de se manter uma atitude otimista em relação à vida. Ele afirmou que até mesmo o indivíduo mais pessimista é capaz de desenvolver o hábito de ser otimista se aprender a questionar suas próprias crenças negativas. Como sugestão o Dr. Seligman recomenda o método de escrevermos o que pensamos ao depararmo-nos com situações difíceis para verificarmos a nossa forma de reagir. Assim, adquirimos a capacidade de redirecionar nossos pensamentos.3
Vivendo com esperança a cada dia.
O conceito de função mística da mente é exposto pelo budismo, enfatizando a habilidade que a mente possui de mudar sua própria circunstância ou sua própria vida.
A filosofia budista de Nitiren Daishonin é considerada como a filosofia da esperança, pois nos possibilita direcionar nossa existência da forma como desejamos. Em uma de suas orientações o presidente Ikeda cita a história de um jovem que havia sofrido um acidente na infância e ficado com uma deficiência em uma das pernas. No entanto, seus pais sempre o encorajavam e jamais diziam que ele não conseguiria algo. Eles ensinaram-lhe que era capaz de fazer o que acreditasse ser possível, e que caso não conseguisse era porque antes de tentar já havia decidido falhar. Na adolescência este rapaz tornou-se uma estrela do futebol na escola onde estudava e, após sua formatura, foi bem-sucedido em seus empreendimentos na sociedade.4
A partir desse exemplo podemos aprender dois pontos importantes: primeiro, que o destino somos nós quem fazemos e, em segundo, que a esperança é a força motriz que nos possibilita realizar nossos sonhos.

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