| Otimismo - uma habilidade que pode ser desenvolvida |
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| Escrito por REVISTA TERCEIRA CIVILIZAÇÃO, EDIÇÃO Nº 425 | |
Segundo
o budismo, o mundo no qual vivemos, repleto de dificuldades e
sofrimentos, é denominado saha. A crise econômica, a falta de emprego, a
violência, a desarmonia familiar, entre outros problemas que a época
atual enfrenta, refletem a rigorosidade deste conceito.
De
acordo com os ensinos de Sakyamuni, enquanto vivermos sempre
experimentaremos dificuldades, tais como a morte de um ente querido,
decepções amorosas, frustração por não obter aquilo que desejamos etc.
Tudo isso compreende o ciclo de nascimento, velhice,
doença e morte. Despertar para esta verdade constituiu a iluminação do
Buda, ou seja, perceber que não adianta fugir das dificuldades, pois
estas fazem parte da vida. No entanto, a forma como passamos por elas
determina nossa felicidade ou infelicidade.
Com que disposição encaramos as dificuldades?
O
fator principal é a nossa disposição, ou seja, como enxergamos os
problemas que estão a nossa frente. Uma senhora que havia descoberto a
causa de sua doença aos 40 anos de idade, após ter sofrido tantos anos
sem tratamento, lamentou-se diante de seu médico por todos os anos
perdidos em lágrimas e frustrações. Sabiamente o médico lhe disse:
“Imagine que a senhora esteja andando por um deserto e de repente avista
meio copo de água. A senhora pode pensar: ‘Puxa! Só isso de água?’, ou
pode pensar de uma outra forma: ‘Que bom, ainda tem um pouco de água!’ A
sua escolha decidirá o curso de seu tratamento.”
O
intuito do médico era o de mostrar à paciente que a disposição que
manifestamos diante do infortúnio é o que gerará a força para a
transformação da condição da doença. Em uma de suas orientações o
presidente Ikeda diz: “Quero que vocês compreendam as atividades sutis
da mente. A maneira como orientam sua mente, o tipo de atitude que
tomam, tudo isso influencia grandemente tanto vocês próprios como o seu
ambiente. O princípio dos três mil mundos num único momento da vida
elucida completamente o verdadeiro aspecto das atividades interiores da
vida.” 1
Obstáculos: um salto para o fundo do poço ou um trampolim para o nosso desenvolvimento?
Há
alguns anos, participando de uma reunião da Divisão do Jovens, um
veterano disse: “Os obstáculos sempre surgirão, no entanto, podemos nos
deixar abater por eles, sendo arrastados para o fundo do poço ou podemos
fazer deles um grande impulso para o nosso desenvolvimento. Tudo
depende da nossa convicção.”
Não há quem esteja
livre das preocupações ou dificuldades da vida diária. No entanto, o que
podemos aprender com estas circunstâncias? Com sabedoria é possível
tirar proveito dos problemas, direcionando-os de forma positiva em nossa
vida. Sobre este ponto o presidente Ikeda diz: “Uma vida de sonhos do
tipo ‘Se eu não tivesse esse problema...’ é uma vida de fracasso. Pelo
contrário, aquele que empenha esforços construtivos continuamente,
considerando tudo do ponto de vista de ‘O que posso fazer para superar
essas circunstâncias e transformá-las numa fonte de valor e vitória?’ é
um vencedor.” 2
Otimismo: uma habilidade que pode ser desenvolvida.
As
pessoas que conseguem manter o otimismo diante dos infortúnios do mundo
saha estão sempre alegres, cheias de vigor e esperança.
Estudos
na área médica vêm enfatizando a importância da fé e da disposição que o
paciente apresenta diante da enfermidade como fundamentais para o bom
restabelecimento da saúde.
O Dr. Seligman,
presidente da Associação de Psicólogos dos Estados Unidos, num diálogo
realizado com o presidente Ikeda, falou sobre a importância de se manter
uma atitude otimista em relação à vida. Ele afirmou que até mesmo o
indivíduo mais pessimista é capaz de desenvolver o hábito de ser
otimista se aprender a questionar suas próprias crenças negativas. Como
sugestão o Dr. Seligman recomenda o método de escrevermos o que pensamos
ao depararmo-nos com situações difíceis para verificarmos a nossa forma
de reagir. Assim, adquirimos a capacidade de redirecionar nossos
pensamentos.3
Vivendo com esperança a cada dia.
O
conceito de função mística da mente é exposto pelo budismo, enfatizando
a habilidade que a mente possui de mudar sua própria circunstância ou
sua própria vida.
A filosofia budista de Nitiren
Daishonin é considerada como a filosofia da esperança, pois nos
possibilita direcionar nossa existência da forma como desejamos. Em uma
de suas orientações o presidente Ikeda cita a história de um jovem que
havia sofrido um acidente na infância e ficado com uma deficiência em
uma das pernas. No entanto, seus pais sempre o encorajavam e jamais
diziam que ele não conseguiria algo. Eles ensinaram-lhe que era capaz de
fazer o que acreditasse ser possível, e que caso não conseguisse era
porque antes de tentar já havia decidido falhar. Na adolescência este
rapaz tornou-se uma estrela do futebol na escola onde estudava e, após
sua formatura, foi bem-sucedido em seus empreendimentos na sociedade.4
A
partir desse exemplo podemos aprender dois pontos importantes:
primeiro, que o destino somos nós quem fazemos e, em segundo, que a
esperança é a força motriz que nos possibilita realizar nossos sonhos.
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Segundo
o budismo, o mundo no qual vivemos, repleto de dificuldades e
sofrimentos, é denominado saha. A crise econômica, a falta de emprego, a
violência, a desarmonia familiar, entre outros problemas que a época
atual enfrenta, refletem a rigorosidade deste conceito.
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